REUTERS/Enrique Calvo
REUTERS/Enrique Calvo

Votação foi vitória de governador da Catalunha

Milhares de pessoas mobilizaram-se para votar em um plebiscito inconstitucional

THE ECONOMIST, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 05h00

Foram cenas que o governo espanhol não queria ver. Em toda a Catalunha, dezenas de milhares de pessoas mobilizaram-se para votar em um plebiscito inconstitucional sobre secessão. O premiê conservador, Mariano Rajoy, havia jurado que o plebiscito não ocorreria. A polícia espanhola antimotim usou da violência e fechou postos de votação, mas milhares de outros funcionaram.

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Essa foi uma vitória para Carles Puigdemont, o governador catalão. Em termos de propaganda, há vídeos de policiais batendo em manifestantes que bloqueavam as escolas onde a eleição deveria ocorrer. “Hoje, o governo espanhol perdeu muito mais do que já havia perdido, e os catalães ganharam muito mais do que ganharam até agora”, disse Puigdemont.

Em alguns lugares, os eleitores fizeram fila durante horas em uma atmosfera pacífica e de celebração. A polícia catalã só observou, ignorando a ordem para impedir que o plebiscito ocorresse. Em Vic, cidade 70 quilômetros ao norte de Barcelona, todos os oito centros de votação estavam abertos.

A prefeita Ana Erra foi um dos muitos nacionalistas a colocar em dúvida se a Declaração Unilateral de Independência (DUI) prosseguirá esta semana, segundo lei aprovada pelo Parlamento catalão no mês passado. “Com meu coração, digo sim, mas com a mente digo que temos de fazer as coisas passo a passo”, disse. Na noite de ontem, Puigdemont pareceu flertar com a DUI, dizendo que o Parlamento catalão “terá o dever de implementar o que os cidadãos decidiram”.

Enfrentar o desafio provocador de Puigdemont teria testado qualquer governo espanhol. Mas Rajoy foi amplamente criticado por sua recusa em negociar as queixas dos catalães. A Espanha é uma democracia vibrante, não o estado autoritário que alguns catalães afirmam. Mas a forma como Rajoy lidou com o referendo deixou expostas suas limitações políticas.

Ao prosseguir com um referendo ilegal “criamos um precedente muito ruim, o de que o fim justifica os meios”, disse Xavier Capelles, um advogado de Vic que não votou porque defende uma “terceira via”. “O plebiscito despertou a fúria espanhola. Isso é muito perigoso.”

 

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