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Votação global indicará as ´novas´ sete maravilhas do mundo

Quais os maiores feitos arquitetônicos da história? O Coliseu de Roma? A Grande Muralha da China? As Pirâmides de Gizé? Essas são as perguntas que milhões de pessoas estão se fazendo ao votarem na maior pesquisa mundial já realizada, uma tentativa de renovar a história ao elaborar um ranking com as grandes obras arquitetônicas da humanidade que ficariam conhecidas como as "novas" sete maravilhas do mundo. Além da grande amplitude da pesquisa - um feito por si só espantoso -, a nova lista pode revelar o que os eleitores do mundo globalizado de hoje vêem de forma diferente dos moradores da Grécia antiga, que elaboraram a primeira lista com as sete maravilhas há mais de 2 mil anos. Cerca de 200 mil pessoas estão votando online ou enviando mensagens de texto por telefone celular todos os dias, estimam os organizadores da pesquisa. E o total de votos a serem depositados antes do anúncio do resultado, no dia 7 de julho, poderia chegar a 100 milhões. "Essa é a primeira votação global da história. Isso nunca foi feito antes. A cultura é uma das poucas coisas que podem ser relevantes para uma votação global", afirmou Tia Viering, porta-voz da campanha As Novas Sete Maravilhas, realizada por uma organização com sede em Zurique. "A coisa está se espalhando rapidamente e esperamos que se espalhe ainda mais rapidamente. Quanto mais pessoas ficarem sabendo disso, mais rápido cresceremos", afirmou Viering. Segundo a porta-voz, havia um número relativamente pequeno de votos vindos da Europa. Mas muitos se apresentaram para dar sua opinião nos EUA, na China, na Índia e na América Latina. A primeira lista com os monumentos mais impressionantes do mundo antigo foi elaborada pelos gregos e incluía monumentos localizados na região do Mediterrâneo, como o Farol de Alexandria e os Jardins Suspensos da Babilônia. A única maravilha da lista original que sobreviveu até os dias de hoje são as Pirâmides de Gizé. Esse fato inspirou o aventureiro suíço-canadense Bernard Weber a organizar a votação a fim de descobrir qual a opinião das pessoas sobre "os últimos 2 mil anos de conquistas da humanidade." Maior pesquisaO número de eleitores fará dessa, provavelmente, a maior pesquisa já realizada, disse o especialista em pesquisas de opinião John Zogby. Mas isso não é suficiente para garantir a essa enquete o status de uma sondagem científica, observou. "Os responsáveis por uma pesquisa precisam determinar algum tipo de amostragem. Isso, porém, não elimina o fato de que se trata de um projeto interessante e intrigante", afirmou ele, que dirige o instituto de pesquisas Zogby International. "Trata-se de um número espantoso de pessoas. Não me lembro de ter visto nada parecido com isso." Uma pesquisa feita por amostragem teria de ter uma parte representativa da sociedade considerando variantes como idade, formação educacional, sexo e outras. Já a votação nas Sete Maravilhas é aberta a qualquer interessado. E não há nenhum mecanismo capaz de impedir que as pessoas votem mais de uma vez, o que conseguiriam fazer criando mais de um perfil na internet ou na rede de votação por celular. Cada pessoa precisa escolher exatamente sete locais, o que, segundo Viering, ajudaria a evitar que os eleitores optassem de forma marcada por atrações regionais. "Tudo isso fará com que os puristas da minha área torçam a cara. Mas o projeto é interessante demais para ser puro", afirmou Zogby. O processo, no entanto, não deve atingir o total de votos registrados em eleições nacionais de grandes democracias como os EUA, onde 122 milhões de pessoas foram às urnas em 2004, ou o Brasil ou a Índia. Destaque Além dos monumentos já citados no primeiro parágrafo, os outros quatro que encabeçam a nova lista são a cidade de Machu Picchu (Peru), a cidade vermelho-rosa de Petra (Jordânia), as misteriosas estátuas da Ilha de Páscoa e o palácio de Taj Mahal (Índia). Também constam da lista de 21 monumentos nos quais se pode votar - e que foi elaborada por um painel de arquitetos a partir de uma lista original com 77 locais - a Torre Eiffel, em Paris, a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a Estátua da Liberdade, em Nova York, o monumento de Stonehenge (Grã-Bretanha) e o Kremlin, em Moscou. Weber e sua equipe estão viajando pelas Américas para visitar os locais listados e formular o anúncio final, em julho. Na maior parte dos locais, os especialistas são recebidos com entusiasmo, já que os candidatos, de olho no faturamento com o turismo, mostram-se ansiosos para serem escolhidos. Esse é principalmente o caso de lugares como Petra, onde o número de turistas diminuiu devido aos conflitos recentes no Iraque e no Líbano, disse Viering. Já as autoridades egípcias não ficaram contentes com o fato de as pirâmides terem sido submetidas a uma votação, argumentando que essas obras deveriam ser incluídas automaticamente em qualquer lista do tipo. Mas a campanha parece não estar muito sujeita a pressões externas, afirmou a porta-voz, ressaltando que se trata de um processo elaborado por uma pequena organização sem fins lucrativos. "Acho que eles compreenderam isso. Todo lugar que visitamos torna-se um dos favoritos. Cada monumento é algo único."

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