Votação indicará força de Obama até 2016

Ao pedir aprovação do Congresso para um ataque militar à Síria, líder americano põe em jogo seu prestígio e o futuro de projetos no 2º mandato

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2013 | 02h12

Barack Obama está diante de uma das semanas mais decisivas de seu governo, na qual todos os desfechos possíveis trazem riscos para sua administração. Se for derrotado no Congresso em seu pedido de autorização para atacar a Síria, terá seu prestígio político seriamente abalado. Se ganhar, levará seu país a mais uma empreitada militar no Oriente Médio de consequências imprevisíveis.

Depois de um ataque químico que segundo opositores deixou 1.429 mortos na periferia de Damasco no dia 21, o "guerreiro relutante" passou a defender uma ação militar contra a Síria para punir Assad - apontado pelo governo americano como responsável pela operação. Obama parecia prestes a iniciar a ofensiva militar há oito dias, quando deu uma nova guinada e anunciou que pediria autorização do Congresso para agir. Obama enfrenta a possibilidade de ser derrotado em uma votação que definirá muitos dos limites de sua ação para os restantes três anos e meio de governo. "A eventual derrota enfraquecerá tanto o presidente quanto os EUA. Nós vamos parecer fracos e divididos", disse ao Estado o professor Robert Pastor, diretor do Centro de Estudos Norte-Americanos da American University.

Contrário à ação militar na Síria, Pastor avalia que um "não" do Congresso a Obama afetará sua capacidade de governar tanto em política externa quanto interna. Na tentativa de evitar esse cenário, ele acredita que o presidente fará concessões que acabarão comprometendo sua habilidade de definir uma ação efetiva na Síria - caso o Congresso diga "sim".

Emparedado entre democratas que querem restringir o escopo da eventual intervenção e republicanos que exigem uma "estratégia abrangente" que leve à queda de Assad, Obama tem dificuldades em definir objetivos claros para a ação.

"É difícil imaginar que o ataque em si falhe porque não se espera que ele realize nada", ironizou Jeremy Shapiro, do Brookings Institution, que trabalhou no Departamento de Estado na primeira gestão de Obama. "O governo precisa de um plano abrangente, especialmente para estabilizar a Síria", defendeu. A proposta em discussão no Congresso autoriza uma operação limitada, sem a entrada de tropas em território sírio e com o objetivo específico de punir Assad pelo uso de armas químicas e reduzir sua capacidade de utilizá-las no futuro.

"Não seria outro Iraque ou Afeganistão. Qualquer ação será limitada, tanto em tempo quanto em extensão, para impedir que o governo sírio intoxique seu próprio povo novamente", disse ontem Obama, em sua ofensiva por apoio popular.

Há uma série de fatores imponderáveis, entre os quais a potencial reação do regime sírio. Confrontado com o risco de serem dizimados pelos rebeldes, as minorias que detêm o poder formal do país podem reagir de maneira desesperada, atacando Israel ou adotando outras ações que desestabilizem ainda mais o Oriente Médio.

Para muitos analistas, não há boas opções no conflito. Essa percepção foi acentuada depois que o New York Times divulgou quinta-feira um vídeo no qual rebeldes sírios executam sete soldados com tiros na nuca. "Quanto mais enfraquecemos Assad, maior a probabilidade de nós terminarmos com um maior problema com a Al-Qaeda no futuro", afirmou Bruce Riedel, que trabalhou 30 anos na CIA e está no Brookings Institution.

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