Matt Sullivan/Reuters
Matt Sullivan/Reuters

Votação indireta dá um peso diferente ao voto em cada Estado

Campanha não passa pelos lugares onde a eleição já está definida e dá excessiva importância aos swing states

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

06 de novembro de 2012 | 08h00

NOVA YORK - Barack Obama e Mitt Romney viajaram dezenas de vezes para Ohio, Flórida e outros Estados-chave (swing states), onde não há um predomínio democrata ou republicano. Já os locais mais populosos, como Nova York, Califórnia e Texas, onde todos sabem quem será o vencedor, entraram no roteiro deles apenas para arrecadação de fundos. Em Estados menores, como Vermont e Wyoming, sequer houve preocupação de fazer propaganda.

A diferença entre Flórida e Texas está no sistema eleitoral americano. Vence a eleição quem obtiver 270 dos 538 votos no Colégio Eleitoral. Quem ganhar em um Estado, leva todos os seus votos – exceto em Nebraska e Maine. Por isso, o voto de um eleitor de Estados como Virgínia e Colorado, onde os dois candidatos estão empatados, tem peso maior do que o de um eleitor de Massachusetts ou Utah, onde uma pessoa ir ou não votar não alterará o resultado.

Mesmo tendo pouco peso na decisão final, muitos eleitores desses Estados sairão para votar hoje. Joni Girardi, que trabalha na área de tecnologia no norte da Califórnia, votaria em Obama, mas decidiu usar as urnas para marcar uma posição política. "Como certamente o presidente vencerá no Estado, decidi votar em um candidato de um terceiro partido", disse. "Acho errado que haja apenas dois partidos."

Eleitor do Partido Democrata, Thomas Walters, da Carolina do Sul, um Estado onde Romney certamente vencerá, discorda do atual sistema eleitoral. "Não acho correto e acho que deveriam mudar para o voto popular", disse ele ao Estado.

James Lee Phelan, diretor de cinema e morador de Nova York, mas registrado no Tennessee, outro Estado republicano, votará em Obama mesmo sabendo que seu voto não influenciará o resultado. Na avaliação dele, o sistema favorece os Estados menores, não apenas grandes concentrações urbanas. "Além disso, considero importante meu voto porque também escolho meus representantes para a Câmara dos Deputados, Senado e governador do Estado", disse.

Para Tom Piper, de Nova York, onde Obama é favorito, é preciso valorizar o voto. "As pessoas morrem ao redor do mundo para poder votar e esse é um privilégio que temos. Tampouco acho que meu voto tenha menos valor. Talvez, menos influência. Além disso, os Estados mudam ao longo do tempo. O Sul costumava votar nos democratas até (Richard) Nixon conseguir atraí-los para o lado republicano."

 

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