Votação na OEA deve reeleger Insulza

Votação na OEA deve reeleger Insulza

Para garantir apoio dos EUA, secretário-geral da organização teve de fazer promessas ao governo americano

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, deve se reeleger hoje para mais cinco anos no cargo, depois de receber garantia de apoio da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. O novo mandato, porém, começa sob grande pressão, com Insulza fazendo promessas ao governo americano para garantir o apoio de Washington.

Segundo apurou o Estado, em conversas com a secretária de Estado e com o secretário-assistente Arturo Valenzuela, Insulza comprometeu-se a tornar a prestação de contas na instituição mais transparente e ser mais pró-ativo na aplicação da carta democrática da instituição.

Depois de ser ignorada durante anos pelo Congresso americano, a OEA agora está sob escrutínio de republicanos e democratas, que estão fazendo uma série de exigências. No dia 11, os senadores John Kerry e Robert Menendez introduziram um projeto de lei que aumenta o poder dos EUA sobre a instituição - que tem 60% do orçamento de sua secretaria-geral financiado por Washington.

O Brasil não gostou. "A OEA não é uma sociedade anônima, é uma democracia, cada país tem um voto", disse o embaixador do Brasil na OEA, Ruy Casaes. Os americanos têm uma visão um pouco diferente. "Seria ótimo se outros países assumissem mais responsabilidade e contribuíssem com mais dinheiro para a OEA - e o Brasil é um bom exemplo, um país grande, emergente, que quer ter um papel maior na região. Seria ótimo se o Brasil, além de expor suas preocupações, abrisse a carteira também", disse Carl Meacham, assessor do senador republicano Richard Lugar.

Resistência. As maiores reservas dos EUA em relação a Insulza são a atuação do secretário-geral com Venezuela, Cuba e Honduras. A Casa Branca acha que Insulza não é muito vigoroso na aplicação da carta democrática e não é duro o suficiente na condenação do desrespeito aos direitos humanos.

"Na falta de um candidato alternativo, os EUA se conformaram, não queriam comprar essa briga agora", disse Christopher Sabatini, diretor do Council of The Americas. Segundo ele, os EUA estão no direito de questionar a administração da entidade. "Afinal, é um monte de dinheiro do contribuinte americano, os EUA estão muito mais vigilantes agora."

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