Alaa Badarneh/Efe
Alaa Badarneh/Efe

Votação na ONU marca recuo nas negociações

Israelense que ajudou a elaborar acordos na década de 90 critica posição de Netanyahu

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

No mês do aniversário dos 18 anos dos Acordos de Oslo, palestinos e israelenses nunca estiveram tão distantes como nesta semana, em que a Autoridade Palestina irá às Nações Unidas buscar o reconhecimento de seu Estado apesar da oposição de Israel e EUA.

"De um lado, temos um governo direitista e não favorável à paz em Israel, de (Binyamin) Netanyahu. De outro, Abu Mazen (apelido do presidente Mahmoud Abbas) apenas controla a Cisjordânia, mas não Gaza", disse ao Estado Yossi Beilin, o líder israelense das negociações de paz nos anos 1990 e posteriormente, com outras personalidades palestinas e de Israel, formulador dos Acordos de Genebra, para muitos ainda a melhor saída para a resolução do conflito.

Um dos maiores críticos de Netanyahu em Israel, Beilin diz que a melhor alternativa para o premiê e também para os EUA neste momento "seria abraçar a proposta palestina, mas colocando dentro algumas de suas demandas, como o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel" - até hoje, mesmo os americanos mantêm a embaixada em Tel-Aviv.

Israel rejeita a iniciativa palestina e conta com os americanos para bloqueá-la. Para conseguir o reconhecimento como Estado pleno nas Nações Unidas, os palestinos precisam da aprovação tanto do Conselho de Segurança quanto de dois terços dos países Assembleia-Geral. Os EUA já anunciaram que vetarão a proposta no conselho.

A alternativa dos palestinos será ir para a Assembleia-Geral, onde, segundo analistas, devem conseguir os votos necessários. Neste caso, a Palestina poderia ser um Estado não membro da ONU. Na prática, nada mudaria na Cisjordânia, que continuaria ocupada por Israel, e na Faixa de Gaza, nas mãos do Hamas.

A cineasta brasileira Julia Bacha, que dirigiu documentários sobre o conflito entre israelenses e palestinos, não acredita que haja grandes protestos nos territórios. "Pode haver manifestações de pequeno porte agora em setembro e outubro. Mas apenas no fim do ano a situação se agravará", disse ao Estado.

Os protestos, segundo Bacha, podem se voltar tanto contra Israel quanto contra a própria Autoridade Palestina. Ela lembra que a polícia palestina faz o papel do Exército de Israel e não deixa os manifestantes chegarem até a fronteira. O premiê Salam Fayyad, segundo a cineasta, "teme que os protestos atraiam de volta a presença militar israelense nas cidades palestinas".

PARA LEMBRAR

ONU definiu divisão em 1947

Em 1947, durante a Assembleia-Geral presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, foi aprovada a criação de um Estado para os judeus e outro para os árabes. Os países árabes a rejeitaram. Argentina, Chile e México se abstiveram, enquanto Cuba votou contra. No ano seguinte, Israel declarou a independência e eclodiu a primeira guerra árabe-israelense. Hoje, o Estado que os palestinos propõem é bem menor do que o aprovado na partilha e segue as linhas do armistício de 1949, normalmente chamado de pré-1974, quando a Cisjordânia era controlada pela Jordânia, e Gaza, pelo Egito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.