Ted S. Warren/AP
Ted S. Warren/AP

Votações paralelas nos EUA indicam mudanças de comportamento

Algus temas antes considerados tabus na sociedade americana estão foram discutidos e aprovados em referendos

Denise Chrispim Marin / ENVIADA ESPECIAL / CHICAGO,

07 de novembro de 2012 | 21h49

CHICAGO - Nos Estados americanos de Colorado e Washington, os eleitores aprovaram a liberação do uso "recreativo" da maconha. Na Califórnia, as urnas autorizaram o governo estadual a aumentar impostos sobre os cidadãos mais ricos para evitar o corte nos gastos com educação. Em Maryland, Washington e Maine, o casamento entre homossexuais foi aprovado pelo eleitorado local.

 

Além de dar um segundo mandato ao presidente Barack Obama, parte dos americanos indicou estar pronta para adotar uma agenda mais progressista. Para isso, valeu-se dos referendos estaduais como instrumento.

 

Nos EUA, as eleições são comandadas pelos governos estaduais, que permitem a apresentação de propostas de referendo. Além dos candidatos, o eleitor pode ser exposto à escolha sobre um tema, em geral, polêmico. As campanhas em torno dessas questões tendem a mobilizar tanto as comunidades americanas quanto a própria disputa presidencial.

No Colorado, foi assim com a questão da liberação da maconha. Até mesmo o líder do partido democrata local, Rick Palacio, mostrou-se contrário à medida no mês passado, ao falar com jornalistas estrangeiros. Ainda assim, o tema obteve a aprovação de 54% do eleitorado local.

 

Conservadores

 

Minnesota foi o único dos quatro Estados que trouxeram na cédula eleitoral a questão do casamento entre homossexuais onde não houve aprovação. Nesse Estado, Obama venceu com uma diferença de 7,6 pontos porcentuais sobre Mitt Romney, seu rival republicano. Mas conservadores, sobretudo em questões relacionadas a princípios religiosos e morais, são encontrados entre eleitores dos dois partidos.

 

O resultado desses referendos trouxe um aspecto novo para a eleição de 6 de novembro: o eleitor americano mudou e mostra-se mais aberto para o debate e a adoção de propostas antes consideradas como tabu pela maioria da sociedade americana. Alguns desses antigos tabus foram desfeitos na terça-feira. Em 2010, qualquer político defensor do casamento entre homossexuais estaria fadado ao fracasso nas urnas. O uso medicinal da maconha já fora aprovado em referendos anteriores na Califórnia.

 

Na última eleição presidencial, o Arizona e a Flórida aprovaram em referendo a proibição do casamento gay. Na Califórnia, em 2008, a maioria dos eleitores decidiu anular uma decisão judicial favorável a essa união, o que afetou 18 milhões de pessoas que já haviam se casado. Essas iniciativas foram lidas como uma resistência a um "rompimento ideológico mais profundo". Em 2012, esse quadro começou a mudar.

 

Um dos problemas dos referendos aprovados, que devem virar emenda ou novo item nas Constituições dos Estados onde foram realizados, está no conflito com as leis federais. A liberação da maconha é um dos casos. O governo federal tem por obrigação legal reprimir o uso da droga. Mesmo na Califórnia, o cultivo de maconha para uso medicinal tem sido tolhido por Washington. No caso do casamento entre homossexuais, a limitação está no espaço geográfico - a medida vale apenas no Estado específico que aprovou o referendo e, portanto, não dá acesso ao parceiro aos benefícios de programas federais.

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