Tom Brenner/Getty Images/AFP
Tom Brenner/Getty Images/AFP

Votar com os pés: conheça o 'caucus', o complexo sistema eleitoral de Iowa

Estado será o primeiro a votar nas primárias democratas das eleições dos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 09h00

Menos de 1% dos americanos vive em Iowa, um estado rural dotado de um complexo sistema eleitoral, o "caucus", para designar seus candidatos. Apesar disso, o Estado cumpre um papel fundamental na corrida para a Casa Branca, por ser o primeiro a votar nas primárias democratas. 

Confira abaixo algumas curiosidades sobre os "caucuses", as assembleias de eleitores afiliados a um partido que se reúnem para debater e, depois, designar seu candidato:

Estranho balé de eleitores

Longe da confidencialidade da cabine de votação, os eleitores democratas em Iowa marcam sua preferência, fisicamente, ao se deslocarem de um lado para o outro de um salão para formar um grupo de apoio a um, ou outro aspirante à Casa Branca.

Depois de um animado caos, eles votam literalmente com seus pés.

A votação acontece em dois turnos. Quando termina o primeiro, apenas os candidatos que atingiram um determinado patamar de apoio (em geral 15% da assembleia) continuarão na disputa.

Para o segundo turno, os seguidores de outros candidatos têm a opção de se unir ao grupo de um candidato ainda na corrida; tentar convencer os apoios de outros candidatos eliminados a se unirem a eles; ou se abster.

Cerca de 1.700 "caucuses" acontecem em escolas, igrejas, teatros, a casa de algum morador, ou, como fizeram os republicanos em 2016, em uma loja de armas.

Neste Estado, conhecido pela cortesia de seus habitantes, o duro enfrentamento entre Hillary Clinton e Bernie Sanders em 2016 provocou atritos.

Regras e novidades

Como resultado dessas tensões, o Partido Democrata de Iowa adotou novas regras, que buscam dar mais transparência ao processo.

À noite, o partido publicará o número de seguidores de cada candidato no primeiro turno e os finalistas, no segundo. Em tese, candidatos diferentes podem ser os líderes no primeiro e no segundo turnos.

Após um cálculo que muitos consideram obscuro, o partido publicará o número de delegados obtidos por cada finalista no Estado.

Esse resultado será convertido no número de delegados atribuídos a cada candidato em nível nacional. Este é um número crucial. Até o fim da disputa, o objetivo dos pré-candidatos é acumular a maior quantidade possível de delegados em todo país.

Após uma conferência nacional, este número é que vai determinar quem vai enfrentar Trump nas urnas em 3 de novembro.

Uma outra novidade é que os eleitores vão escrever sua primeira escolha em um papel ao chegar ao "caucus", para permitir uma eventual recontagem.

Recorde de participação

No Condado de Johnson, onde a mobilização costuma ser elevada, a expectativa é de uma participação recorde este ano. Em todo Estado, pode-se esperar superar o total de 240 mil democratas que participaram em 2008, quando Barack Obama venceu. Este foi um máximo histórico.

"É duro para mim, às vezes, quando estou na sala (do 'caucus') e vejo que meu partido se fragmenta", comentou John Deeth.

De qualquer modo, tanto ele quanto os demais organizadores vão-se reunir para uma "festa da vitória", quem quer que seja o vencedor. / AFP

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