MICHAEL REYNOLDS/EFE
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Voto antecipado pode definir novo presidente dos EUA

Analistas estimam que eleições podem ser decididas por votos antecipados; 35% dos eleitores devem ir as urnas antes do pleito, inclusive o presidente Obama

BBC Brasil, BBC

25 de outubro de 2012 | 16h15

WASHINGTON - Tradição eleitoral americana, o voto antecipado costumava ser utilizado principalmente por expatriados ou militares atuando em outros países. Mas neste ano estima-se que 35% dos eleitores vão às urnas antes do dia 6 de novembro, inclusive o presidente Barack Obama, que anunciou seu voto para esta quinta-feira. É a primeira vez que o chefe de Estado vota antecipadamente.

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Em alguns Estados a cifra pode ser ainda maior, o que levou analistas a questionar se, na prática, o novo presidente dos EUA já pode ser escolhido antes mesmo da abertura oficial das urnas. Dados indicam que, a duas semanas da eleição, mais de 6,5 milhões de americanos já votaram.

Obama anunciou que votará em Chicago dez dias antes de 6 de novembro, num esforço para incentivar mais americanos a fazerem o mesmo e espantar o medo de altas taxas de abstenção no dia oficial - ao contrário do Brasil, o voto não é obrigatório nos EUA. Nenhum outro mandatário americano já havia votado antecipadamente.

Mas a possível definição do próximo presidente antes da hora não é resultado apenas do aumento geral da taxa de votos antecipados. Outro fator é a estimativa de que grande parte dos eleitores de alguns Estados-pêndulo deva votar mais cedo. No mapa eleitoral americano, alguns Estados se alinham tradicionalmente aos republicanos, e outros aos democratas. Aqueles que costumam variar a orientação dos votos a cada eleição, alternando entre as duas maiores forças políticas do país, são classificados como Estados-pêndulo e vistos como cruciais para a definição do novo presidente.

O grupo soma, ao todo, 13 Estados, mas analistas indicam que seis deles devem registrar mais votos antecipados: Flórida, Colorado, Iowa, Virgínia, Nevada e Ohio. "No Colorado, 85% dos votos vão ser dados antes do dia das eleições. Na Flórida teremos algo perto de dois terços, e em Ohio, já se aproximam de cerca de 40% a 45% de votos antecipados", diz Michael McDonald, professor de governo e política da Universidade George Mason. Na última pesquisa encomendada pela agência de notícias Associated Press o republicano Mitt Romney detém 47% dos votos, contra 45% de Barack Obama.

Tendência

O voto antecipado é permitido em 32 dos 50 Estados americanos, mais o Distrito de Colúmbia, e na maioria deles a votação já foi iniciada, mas os votos só serão contabilizados no dia da eleição oficial.

Na opinião de McDonald, no entanto, já é possível determinar um potencial vencedor ao analisar os Estados-pêndulo. "Em 2008, uma semana antes da eleição eu tinha certeza de que Obama tinha vencido porque ele estava indo tão bem no Colorado e o Colorado tinha um papel tão prominente no mapa eleitoral naquela época", diz.

Já em 2012 a disputa está muito acirrada e não é tão fácil determinar um ganhador. Mesmo assim, o analista acredita que na próxima semana (a última antes da eleição) será possível apontar o potencial vencedor.

Estratégia

Trey Hood, professor de ciências políticas da Universidade da Geórgia, avalia que o voto antecipado tem sido um fator importante nas eleições americanas há no mínimo 20 anos, quando Estados como o Texas e o Tennessee implementaram a possibilidade como forma de aumentar o comparecimento às urnas.

Mas desde as eleições de 2008, quando milhares de votos antecipados dados a Obama o colocaram na liderança em Estados como a Carolina do Norte, a modalidade deixou de ser apenas uma conveniência e tornou-se uma estratégia.

E nesse ano as duas campanhas têm focado nesse eleitor, apontam especialistas. "A cada pessoa que dá um voto antecipado, as campanhas podem passar para o próximo nome da lista", diz McDonald. Mas os cientistas políticos ainda não têm certeza quanto à teoria. Em 2008, por exemplo, há a possibilidade de que a força de Obama como candidato por si só lhe garantiu a vitória, independentemente dos votos antecipados.

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