Voto compromete aspiração do Brasil de ter papel maior no CS

Posição brasileira contrária a interesses dos EUA e seus aliados deve tornar inviável assento permanente no Conselho

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A atuação do Brasil na votação da ONU que aprovou novas sanções para o Irã deteriorou a imagem do País no Conselho de Segurança e tornou praticamente inviável o sonho de conseguir uma vaga permanente no órgão decisório. Segundo o Estado apurou com diplomatas do conselho, os mexicanos se beneficiaram da posição brasileira contrária aos interesses dos EUA e seus aliados.

A Rússia é um dos países mais irritados com os brasileiros. Os russos estão incomodados com a pretensão brasileira e turca de se envolverem em questões internacionais. Sem o peso econômico da era soviética, os russos não querem mais rivais geopolíticos, além dos EUA, China e União Europeia.

"O Oriente Médio não tem a ver com o Brasil. Eles não conhecem bem o tema e entraram nesta discussão agora, enquanto França, Inglaterra e Alemanha há anos tentam negociar com os iranianos", disse um diplomata francês. Eles entendem a posição adotada pela Turquia, vizinha e com boas relações comerciais com o Irã, mas não a do Brasil.

Segundo um diplomata do alto escalão dos EUA na ONU, que pediu para não ser identificado, "um país (o Brasil) que aspira ter um papel de liderança global deveria defender o sistema internacional e suas regras, não quem as viola". O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, também lamentou a posição de brasileiros e turcos. "Eu acho que os votos de Brasil e Turquia decepcionaram. Nós obviamente temos uma diferença de opinião", afirmou. O secretário da Defesa, Robert Gates, também se disse decepcionado com os turcos, apesar de não citar o Brasil.

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