Voto da Nigéria pode definir derrota palestina

Pressão de americanos e israelenses teria feito presidente nigeriano optar por abstenção em processo provocado por palestinos no CS da ONU

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h00

Os palestinos buscavam ontem o apoio de mais dois países - Gabão e Bósnia - para obter os nove votos necessários no Conselho de Segurança da ONU para a aprovação do reconhecimento de seu Estado como membro pleno da organização. Mas a Nigéria, cujo voto a favor dos palestinos era tido como certo, deu sinais ontem de que votaria contra, o que decretaria o fracasso da proposta palestina.

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, garantiu ter convencido o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, a votar contra a proposta. Mas o jornal Yedioth Ahronoth disse apenas que a Nigéria decidiu se abster após uma reunião entre Barak e Jonathan.

Ainda não está claro se o presidente palestino, Mahmoud Abbas, insistirá com o pedido no Conselho de Segurança caso não tenha o apoio necessário. A meta é importante, pois a resolução precisa de 9 dos 15 votos do Conselho de Segurança para ser aprovada, o que obrigaria os EUA a usar seu poder de veto.

Para evitar esse constrangimento, Washington trabalha nos bastidores para obter votos contrários ao pedido palestino ou o máximo de abstenções.

Apesar de parte da população da Bósnia ser muçulmana, o país só existe graças aos Acordos de Dayton, orquestrados pelos EUA, o que faria Sarajevo tender à abstenção na ONU, decretando o fracasso da proposta palestina sem a necessidade do veto americano.

Ramallah contava com o apoio de sete países, mas reconheceu que os EUA estavam pressionando os que ainda não tinham definido seu voto. / AP

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