Voto de indecisos pode decidir eleição presidencial francesa

Um cenário político cheio de incertezas impera nesta sexta-feira, 20, há dois dias do primeiro turno das eleições francesas, onde a volatilidade dos eleitores e a grande quantidade de indecisos pode mudar os rumos designados pelas inúmeras pesquisas. Uma das principais dúvidas é se o centrista François Bayrou, a grande surpresa da campanha, pode chegar ao segundo turno. O conservador Nicolas Sarkozy e a esquerdista Sególenè Royal mantiveram-se à frente desde o começo da campanha. Apesar de não se acreditar que o ultradireitista Jean-Marie Le Pen possa passar pela primeira etapa de domingo, seu êxito, que as pesquisas não tinham previsto no primeiro turno das Presidenciais de 2002, deixou de sobreaviso os analistas, que não se atrevem ainda atirá-lo do páreo.Os principais rivais nesta corrida presidencial estão se esforçando para conquistar os votos dos indecisos, que somam praticamente 1/3 do total, capazes de levar qualquer candidato ao segundo turno. Em certo momento na campanha, na primeira quinzena de março, um triplo empate técnico chegou a ser anunciado em pesquisas, mas um mês depois, os resultados mostravam um afunilamento, construindo um cenário entre Royal e Sarkozy no segundo turno. Os quatro candidatos, assim como os outros oito concorrentes menores, têm até a meia-noite desta sexta-feira (19h de Brasília) para mobilizar seus eleitores e convencer os indecisos para o pleito que será realizado no dia 6 de maio e escolherá o sucessor de Jacques Chirac no Palácio do Eliseu. Depois desta hora, ficarão proibidos os atos de campanha, assim como a divulgação das pesquisas até o fechamento dos últimos colégios eleitorais no domingo às 20h (15h de Brasília), apesar de, nos territórios franceses das Américas e na Polinésia, a votação ocorrer amanhã.´Casting´Ao contrário de outras eleições, o pleito de 2007 soa inconstante e sem foco, sem temas que concentrem o debate. Mas o interesse popular foi grande, com uma avalanche de pesquisas e publicações. Segundo analistas, algumas das razões seria a faixa de idade dos jovens candidatos e o "casting". Sarkozy, 52, o "filho rebelde" que "traiu" Chirac em 1995, precisou superar as manobras dos fiéis ao ex-presidente para poder concorrer pela conservadora União por um Movimento Popular (UMP) e participar da corrida eleitoral. O carismático conservador, com uma reputação "lei-e-ordem", ataca a imigração ilegal e o crime na juventude e pretende tratar a economia de forma mais liberal. Royal, 53, foi a surpresa no Partido Socialista (PS), ao derrotar, nas primárias, dois "elefantes" da formação política, e, com suas posições iconoclastas e "democracia participativa", tornar-se a primeira mulher com possibilidades reais de chegar à chefia deEstado. Bayrou, 55, da União pela Democracia Francesa (UDF), posicionou-se como o "terceiro homem", com sua promessa de formar um governo de "união nacional". Num país dividido entre esquerda e direita, se posiciona ao centro com uma política de agradar a ambos os lados. Le Pen, da Frente Nacional (FN), participará, aos 78 anos, de sua quinta eleição presidencial, e se gaba de ter conseguido impor seus temas - insegurança, imigração e identidade nacional -, além de ter recorrido às críticas a Sarkozy quando este passou a dirigir seudiscurso ao eleitorado do ultradireitista.Pesquisas Faltando dois dias para o primeiro turno, que deve ter um número recorde de 44,5 milhões de eleitores (7,5% a mais que em 2002) comparecendo às urnas, o número de eleitores indecisos seria o suficiente para levar um candidato ao segundo turno.A lei eleitoral francesa proíbe a publicação de pesquisas a partir de meia-noite, quando termina a campanha eleitoral.Sarkozy conta com 30% das intenções de voto segundo a Ipsos/Dell, 28% pela Ifop-Fiducial e 27% na pesquisa da CSA.Royal tem 23% na Ipsos/Dell, 22,5% na Ifop-Fiducial e 26% na CSA, a única pesquisa a deixar a socialista perto de Sarkozy e com boa vantagem sobre Bayrou.O líder centrista teria 17% dos votos segundo a CSA, 18% para a Ipsos/Dell e 20% oara a Ifop-Fiducial.Le Pen, quem em 2002 surpreendeu e chegou ao segundo turno, obtém 16% na CSA e 13% nas outras duas.Dos outros oito candidatos, só o ultra-esquerdista Olivier Besancenot se aproxima dos 5% de intenções de voto, seguido de longe pela comunista Marie-George Buffet (3%) e pelo soberanista de direita Philippe de Villiers (2,5%).Ampliada às 18h02.

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