Andres Kudacki / The New York Times; Shawn Thew / EFE; Mandel Ngan / AFP
Andres Kudacki / The New York Times; Shawn Thew / EFE; Mandel Ngan / AFP

Voto de novembro ganha peso em futuro de Trump

Novo Congresso definirá destino de presidente e republicanos apostam na ameaça do impeachment para levar eleitores às urnas

Beatriz Bulla CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 05h00

Considerada um referendo sobre o governo de Donald Trump, a eleição legislativa de novembro tornou-se crucial para a sobrevivência política do presidente. Os republicanos precisam garantir o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso para afastar a sombra do impeachment. Ao mesmo tempo, o partido aposta na ameaça para levar seus eleitores às urnas.

Os democratas evitam falar sobre impeachment, embora a pressão na imprensa tenha aumentado desde terça-feira, quando o ex-advogado de Trump, Michael Cohen, confessou ter feito pagamentos ilegais na véspera da eleição de 2016 para silenciar a atriz pornô Stormy Daniels e a ex-modelo da Playboy Karen McDougal, que tiveram casos com Trump.

Também na terça-feira, um júri declarou o ex-chefe de campanha do presidente, Paul Manfort, culpado em 8 das 18 acusações a que respondia. “Os republicanos precisam conservar o controle do Legislativo para manter o escândalo longe”, disse ao Estado Brandon Rottinghaus, cientista político da Universidade de Houston.

“Presidentes tendem a sobreviver a escândalos quando são pessoais e não financeiros. E quando eles têm apoio do Congresso. Essas são as duas coisas que Trump tem a seu favor”, afirma Rottinghaus. Segundo ele, a polarização política nos EUA reduziu o impacto das revelações de Cohen na popularidade do presidente.

Para que o impeachment seja aprovado, é preciso passar pela Câmara dos Deputados, por maioria simples, e depois por dois terços dos senadores. Os republicanos têm maioria nas duas Casas. Segundo pesquisas, os democratas devem recuperar o controle da Câmara, mas não do Senado. A razão é simples. O mandato de seis anos está no fim para 33 dos 100 senadores eleitos em 2012, quando Barack Obama foi reeleito. 

Senado

Com a ajuda de Obama, os democratas elegeram então senadores em Estados que normalmente perderiam, como Dakota do Norte e Missouri. Em novembro, o partido teria não apenas de manter esses senadores como eleger outros dois para obter a maioria no Senado – mesmo assim, ficariam longe dos 67 votos necessários para destituir Trump – a não ser que o avanço das investigações aumente o número de deserções dentro do Partido Republicano.

“Como dizem: se você atacar o rei, você precisa matá-lo. Se você abrir o impeachment contra o presidente, você precisa condená-lo. Se não condenar, acaba por torná-lo mais poderoso e vingativo”, afirmou Charles Stewart, professor de ciência política do Massachusetts Institute of Technology (MIT). “Mesmo que os republicanos mantenham o controle da Casa, a expectativa é a de que a margem será tão pequena que terão dificuldades em governar. De certa forma, eles provavelmente prefeririam perder por uma margem estreita do que segurá-la por poucas cadeiras”, disse o professor do MIT.

“Mesmo que Trump se mantenha no cargo, perder a Câmara será uma péssima notícia”, diz Stewart. De acordo com ele, com a maioria, os democratas poderão assumir investigações embaraçosas para o governo. 

“Democratas não querem falar sobre impeachment porque os cidadãos não querem impeachment”, avalia Gary Nordlinger, professor da George Washington University. Segundo ele, os democratas sabem que abrir um processo de impeachment e ver Trump absolvido no Senado poderia ter o efeito inverso. “Trump continua muito popular em sua base eleitoral, entre aqueles que chamamos de ‘trumpistas’”, afirma Nordlinger, que não vê até o momento evidências suficientes para um impeachment.

Nancy Pelosi, líder democrata na Câmara, afirmou que impeachment não é prioridade. Os republicanos, porém, usam o fantasma para ganhar votos – como o voto não é obrigatório nos EUA, os partidos precisam manter sua base empolgada com algum tema.

Na Câmara dos Deputados, das 435 cadeiras em disputa só 48 são consideradas competitivas – por terem resultado incerto ou pouco claro. A maioria das vagas consideradas incertas é ocupada, hoje em dia, por republicanos – o que dá esperança aos democratas, que precisam conquistar 24 assentos a mais do que já possuem para virar maioria na casa. 

O site FiveThirtyEight, que agrega pesquisas eleitorais nos Estados Unidos, indicava na sexta-feira que 47,8% das pessoas consultadas declaravam que vão votar em democratas nas eleições de novembro e 40% em favor de candidatos republicanos.

 

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