Voto de protesto impulsiona ícone da ultradireita em Israel

Apelo antiárabe de Lieberman deve relegar tradicional Partido Trabalhista a uma humilhante quarta colocação

Daniela Kresch, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2009 | 08h25

Um partido relativamente novo e de menor porte tem surpreendido nas pesquisas para as eleições de amanhã, chegando mesmo a ultrapassar o tradicional Partido Trabalhista. Trata-se do Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa, em hebraico), liderado pelo imigrante russo ultranacionalista Avigdor Lieberman, ex-ministro para Assuntos Estratégicos. O partido de extrema direita, criado em 1999, deve conquistar nada menos do que 19 assentos no Knesset, 8 a mais do que tem hoje, tornando-se uma das principaís forças políticas do país. Com isso, ele se tornaria o fiel da balança sem o qual o novo premiê não poderá governar.   Veja também: Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Livni tenta reagir com ''fator Shalit''  Acordo por Shalit depende da soltura de 4 presos do Hamas Veja os principais candidatos a premiê de Israel Conheça os principais partidos israelenses  Lieberman tem o apoio de boa parte da minoria russa em Israel (cerca de 20% dos moradores do país). Ele reflete muitas das ideias de mais de 1,5 milhão de russos (a grande maioria judeus) que imigraram para o país nas duas últimas décadas e trouxeram consigo os temores e a cultura política da antiga União Soviética. A novidade, agora, é que o partido também conquistou os votos de israelenses nativos decepcionados com os partidos tradicionais. Apesar do nacionalismo que beira o racismo, o grupo de Lieberman defende posições seculares - como a de uniões civis que se equivaleriam a casamentos religiosos -, atraindo também parte do voto de eleitores que tenderiam à esquerda. Cerca de 40% das intenções de voto do Israel Beiteinu são de gente que nasceu no país. "Lieberman cresce porque muitos eleitores têm a sensação de que não há no país ninguém que possa lidar com ameaças como Hamas, Hezbollah e Irã", explica o jornalista Nahum Barnea. "Eles crêem que Israel precisa de alguém duro, que ponha as coisas no lugar."Em sua polêmica plataforma política, o Israel Beiteinu promete aprovar uma lei que garanta cidadania apenas aos israelenses que jurarem lealdade ao país. "Sem lealdade não há cidadania", diz seu principal slogan. Uma lei como essa seria problemática entre a minoria árabe em Israel (20% da população), que tem dificuldade em se identificar com o Estado judeu e, muitas vezes, defende posições dos palestinos. A maioria dos árabes-israelenses evita cantar o hino nacional (que se refere ao judaísmo) ou erguer a bandeira que inclui a estrela de Davi. Outro grupo que teria dificuldade em demonstrar lealdade ao Estado é o dos judeus ultraortodoxos, para os quais as leis religiosas se sobrepõem às civis. "Lieberman esqueceu que 54% dos moradores do país são árabes, ortodoxos ou imigrantes que não se identificam com a nação", afirma o professor ultraortodoxo Dudi Zylbershlag. Mas é justamente o discurso agressivo de Lieberman em relação à minoria árabe-israelense que parece ter ajudado no sucesso do controvertido político de 50 anos, nascido na Moldávia (ex-URSS), que imigrou para Israel aos 20 anos. Líderes árabes-israelenses defendem o fim do caráter judaico do Estado de Israel. Essa posição incomoda boa parte dos judeus, que veem os árabes como inimigos. Mas as ideias radicais do Israel Beiteinu preocupam políticos e intelectuais, certos de que Israel lida novamente com o perigo de um partido fascista chegar ao governo. Um desses partidos, o Kach, do rabino Meir Kahane, foi impedido de concorrer em eleições na década de 1980 justamente por incitar o racismo contra a minoria árabe. Há quem sustente, no entanto, que o sucesso Lieberman tem outro motivo - a descrença de muitos israelenses nos grandes partidos, considerados corruptos ou incapazes de solucionar os problemas nacionais. O voto no Israel Beiteinu seria, então, de protesto e não ideológico. "Muitos jovens vão votarem Lieberman só por brincadeira, por gozação", diagnostica o diplomata Alon Pinks, ex-embaixador de Israel em Washington. var keywords = "";

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