Voto dos mortos é mais uma ameaça à eleição americana

No que talvez tenha sido seu último gesto consciente, Trixie Porter, de 90 anos, preencheu sua cédula eleitoral para voto de ausente. Uma hora mais tarde, Trixie fechou os olhos para nunca mais acordar. Sua cédula chegou pelo correio ao comitê eleitoral dois dias depois. Pela lei eleitoral, o voto de Trixie não deveria contar, mas muitos Estados não têm meios de retirar das urnas os votos antecipados dos eleitores que estiverem mortos no dia da eleição, 2 de novembro. Com milhões de eleitores tirando vantagem dos sistemas de votação antecipada oferecidos por pelo menos 30 Estados, é quase certeza que esses votos "fantasma" serão contados. Embora não se espere que a morte escolha partido, os milhares de advogados que irão aos Estados onde a decisão está indefinida para tentar anular ou validar o maior número possível de votos contra ou a favor de seus candidatos provavelmente verão nos votos dos mortos algo além de uma mera curiosidade estatística. Apenas na Flórida, mais de 1,8 milhão de pessoas, muitas delas aposentados ou doentes, já votaram por antecipação. Estima-se que 455 pessoas em idade eleitoral morrem na Flórida a cada dia. Lembrando que o pleito de 2000 foi decidido por pouco mais de 500 votos, o voto dos mortos poderá representar um bloco decisivo.

Agencia Estado,

31 Outubro 2004 | 16h00

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