Voto hispânico será fundamental para Hillary em prévias do Texas

Gloria Colmenares enfrentou momentosdifíceis em sua vida e diz que é por esse motivo que vota emHillary Clinton nas prévias democratas do Texas, marcadas para4 de março. "Eu sei que ela é rica, mas ela ainda continua a lutarpelos direitos do povo. E eu gostaria de ver um sistema públicode saúde universal e de ver os idosos mais bem assistidos",disse a viúva Colmenares, 65, à Reuters, em sua modesta casa nobairro operário majoritariamente hispânico de Pharr, uma cidadeda fronteira sul do Texas. As esperanças de Hillary de recuperar-se na campanha para avaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais dos EUAdependem em grande parte de eleitores hispânicos comoColmenares optarem por ela ao invés de Barack Obama na votaçãode 4 de março. Analistas dizem que a pré-candidata deve vencer no Texas e,no mesmo dia, em Ohio, mantendo vivas suas chances na disputa. Assustados com a postura rígida adotada pelos republicanose por políticas de combate à imigração ilegal, os latinos podemdesempenhar um papel decisivo nas prévias democratas do Texas-- e, até hoje, essa fatia do eleitorado tem preferido Hillarya Obama. Esse apoio, no entanto, não pode mais ser visto como certo,já que Obama, vencedor nas últimas dez prévias, recebe cada vezmais suporte em bases de apoio tradicionalmente ligadas aHillary, como as mulheres, os eleitores mais velhos e oshispânicos. Obama encontra-se em um momento de ascensão e entrevistasrealizadas com vários eleitores em potencial dessa regiãomarcada pela presença de latinos mostraram que a geração maisjovem pende para o senador de Illinois, que é negro. "Tenho amigos e parentes lá (no Iraque) e Obama vai acabarcom a guerra", afirmou Jenissa Arrambide, 18, estudante daUniversidade do Texas em Brownsville. Segundo o Pew Hispanic Center, os latinos mais jovensvotaram como seus pais nas primárias da "superterça", no dia 5de fevereiro, favorecendo Hillary. Em 16 Estados da "superterça" onde houve pesquisas deboca-de-urna, 63 por cento dos hispânicos ficaram ao lado deHillary, disse Susan Minushkin, do Pew Hispanic Center. "Mas isso foi no dia 5 de fevereiro e as coisas podem mudaraté o dia 4 de março", afirmou. Tanto Obama quanto Hillary tentam garantir que o maiornúmero possível de latinos compareça às urnas. "Os hispânicos têm aumentado sua participação no quesitocomparecimento às urnas", disse Minushkin. ECONOMIA E SAÚDE Colmenares, que exerceu seu direito de votar dias antes daeleição, afirmou preocupar-se com as questões econômicas e coma falta de serviços de saúde na região, onde muitos hispânicossentiram-se politicamente marginalizados no passado. A maior parte das pessoas tem dito que a raça não é umfator determinante na escolha de seu candidato, apesar de haverespeculações sobre a possibilidade de o eleitorado latinorelutar em votar em um presidente negro. Muitos eleitores também disseram aprovar o plano de saúdeuniversal de Hillary. O plano de saúde defendido por Obama ésemelhante e daria cobertura para quase todos osnorte-americanos. Em uma clínica de atendimento médico da região que oferecetratamento gratuito e subsidiado, cerca de 40 pessoasaguardavam pacientemente em uma fila, o que chama atenção paraa importância do assunto entre essa população. "Estamos familiarizados com os Clinton e com suaspropostas. Em particular a respeito da saúde, que é algo muitoimportante", afirmou Juan Hinojosa, senador na câmara estadualdo Texas.

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