AP e EFE
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Voto para o Congresso argentino diminui força de bloco kirchnerista

Aliança de Cristina perde 26 deputados; Grupo do opositor Macri terá 90 assentos na Câmara, mas menos espaço no Senado

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

27 Outubro 2015 | 02h00

BUENOS AIRES - O candidato eleito em 22 de novembro presidente da Argentino não terá a facilidade com que Cristina Kirchner aprovou alguns de seus projetos mais polêmicos.

A bancada kirchnerista terá 107 dos 257 deputados, insuficiente para aprovar os projetos que exigem metade do quórum. Perdeu 26 cadeiras. A coalizão Cambiemos, do opositor Mauricio Macri, terá 90 cadeiras. Ela não deve funcionar como um bloco homogêneo, já que os partidos que a compõem informaram que a agrupação estava formada para a disputa presidencial. No caso de Macri vencer, entretanto, deve funcionar com alguma sintonia. 

“Os novos numero do Congresso significam que a sociedade não está disposta a concentrar o poder em poucas mãos e deseja que haja acordos políticos. Isso vai ser difícil de conseguir”, opina o sociólogo Carlos de Angelis, professor da Universidade de Buenos Aires.

O kirchnerismo, que já previa um triunfo do governista Daniel Scioli em primeiro turno, já trabalhava com nomes para ocupar a presidência da Câmara, que pertence ao partido no poder. Se Macri vencer, esse cargo passaria a oposição pela primeira vez desde 2001.

Entre as estrelas kirchneristas entre os deputados estarão o ministro da Economia, Axel Kicillof e o filho da presidente, Máximo Kirchner, que conseguiu se eleger como representante da Província de Santa Cruz, berço político da família. 

Eles são alguns dos principais nomes do grupo La Cámpora, base eleitoral do kirchnerismo desde que o governo rompeu com os principais sindicatos, em 2011. Como os candidatos foram escolhidos por Cristina, a bancada com forte presença “camporista” era uma forma de controlar Scioli, caso ele se mostrasse um presidente mais conservador do que o kirchnerismo desejasse. 

No poder, entretanto, Scioli teria uma vantagem. Nos últimos meses, pelo menos 200 políticos do grupo do ex-kirchnerista Sergio Massa passaram para o lado de Scioli. A tendência é que isso se acelerasse com sua vitória e permitiria ao presidente atingir a maioria. 

No caso de Macri ser eleito, precisará de mais jogo de cintura para negociar suas leis. Com os 90 integrantes da coalizão Cambiemos, estaria ainda mais longe que o kirchnerismo o mínimo para aprovação.

O risco de um governo sem sustentação no Parlamento foi levantado durante a campanha por governistas para afastar os eleitores mais informados do candidato opositor. Num país em que historicamente os governos não peronistas terminaram antes da hora, a possibilidade de isso se repetir é constantemente levantada.

Macri sempre respondeu que não teria problema em governar com minoria, pois isso ocorreu durante seus oito anos à frente da prefeitura de Buenos Aires. 

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