Voto pela Palestina em Nova York 'não muda nada', diz Netanyahu

Para premiê israelense, reconhecimento na ONU tornará a criação de um Estado ainda mais difícil; Israel votou contra

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h50

Diante da votação na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU "não mudará nada". "(O reconhecimento) não avançará na criação de um Estado palestino. Ao contrário, a tornará ainda mais difícil", disse Netanyahu, antes do voto em Nova York.

"A única maneira de alcançar a paz é por meio de negociações diretas sem precondições e não com uma declaração unilateral na ONU que não leva em consideração nenhum dos imperativos de segurança de Israel", completou o primeiro-ministro.

Netanyahu denunciou o discurso do presidente palestino, Mahmoud Abbas, como "difamatório e venenoso".

"O mundo observou um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda mentirosa contra Tsahal (o Exército israelense) e os cidadãos de Israel. Não é assim que se expressa um homem animado pela paz", declarou o premiê israelense, segundo breve comunicado divulgado por seu gabinete.

"Não haverá Estado palestino sem acordos que garantam a segurança dos cidadãos de Israel", acrescentou a nota. "Ao apresentar seu pedido na ONU os palestinos violaram seus acordos com Israel e, consequentemente, Israel atuará." Ele se referiu aos Acordos de Oslo, de 1993, que preveem que a criação de um Estado palestino deve ser fruto de negociações de paz palestino-israelenses, não uma iniciativa unilateral.

O ex-premiê israelense Ehud Olmert, que ensaia um retorno à política, defendeu a iniciativa de Abbas na ONU, dizendo em um artigo que ela "é coerente com a solução de dois Estados". Radicais de extrema direita em Israel, porém, pediram punição aos palestinos. Os deputados Michael Ben-Ari e Arieh Eldad prometeram fazer uma fogueira com bandeiras palestinas e defenderam a anexação de grande parte da Cisjordânia. / AFP

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