Voto sul-africano tem filas e atrasos

Eleições devem oficializar a vitória do CNA e o nome de Jacob Zuma como novo presidente da África do Sul

Reuters e Ap, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Os sul-africanos que foram ontem às urnas tiveram de ter paciência para suportar filas intermináveis e a falta de cédulas e urnas em muitos locais de votação. Por causa das filas, a comissão eleitoral foi obrigada a manter algumas sessões abertas, mesmo após o fechamento oficial das urnas. No único incidente de violência, um funcionário do partido Congresso do Povo (Cope) foi morto ontem em sua casa por três homens que entraram atirando.Cerca de 23 milhões de eleitores votaram para renovar as assembleias provinciais e as 400 cadeiras do Parlamento. O líder do partido mais votado será o novo presidente do país. O vencedor mais uma vez deve ser o Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista liderado por Jacob Zuma. Resta saber apenas o tamanho da vitória do CNA, que desde o fim do apartheid, em 1994, sempre obteve mais de 60% dos votos. O CNA deve essa enxurrada de votos aos anos de luta contra o regime branco e à liderança incontestável de Nelson Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul e herói da resistência contra o apartheid. Aos 90 anos, com a saúde debilitada, ele não participa mais ativamente da vida pública, mas compareceu ao último comício de Zuma, que reuniu 100 mil pessoas no Ellis Park, em Johannesburgo, no domingo.Mandela votou cedo em Johannesburgo. Ele entrou no local de votação com a ajuda de um político local e foi recebido com aplausos pela multidão. Caminhando com dificuldade, ele respondeu com acenos antes de depositar a cédula na urna.Já o ex-presidente Thabo Mbeki compareceu a sua sessão eleitoral impecavelmente vestido. Ele chegou ao local com a mulher em um BMW preto e não disse em quem votou. "O voto é secreto", afirmou. "Só Deus sabe quem vencerá."Na verdade, a única ameaça ao partido de Zuma e Mandela é o Congresso do Povo, fundado no ano passado por uma dissidência do CNA. O Cope é formado por partidários de Mbeki, que disputou - e perdeu - a liderança do CNA para Zuma. O fato de ter e muitos ex-integrantes da luta antiapartheid, aumentou a expectativa de que o Cope roubasse votos do CNA, mas a impopularidade de Mbeki e as dificuldades de arrecadar dinheiro fizeram a campanha murchar. Pesquisas colocam o Cope em segundo lugar, o que tornaria Mvume Dandala, presidente do partido, o principal líder oposicionista do país.Outros dois partidos importantes são a Aliança Democrática (AD), de Hellen Zille, prefeita branca de Cidade do Cabo, e o Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi. Mas a força dos dois é regional: Hellen na Província de Western Cape, Buthelezi em Kwazulu-Natal.O maior problema de Hellen é que a AD ainda carrega o fardo de ter sustentado o regime branco e não conseguiu expandir sua base eleitoral. Já Buthelezi segue muito identificado com o nacionalismo zulu. Seu partido nunca deixou o CNA dominar a Província de Kwazulu-Natal, mas como Zuma também é zulu, o Inkatha está ameaçado em seu reduto. CRÍTICASOntem, o arcebispo Desmond Tutu criticou Zuma. O ganhador do Nobel da Paz de 1984, veterano na luta contra o apartheid, pediu que as pessoas "pensassem bem antes de votar". Para Tutu, Zuma deveria ser julgado por corrupção e lavagem de dinheiro. Apesar de se dizer "desiludido" com o CNA, o arcebispo compareceu a sua sessão eleitoral na Cidade do Cabo.

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