Votos de Medvedev na eleição russa foram fraudados, diz jornal

Estudo aponta que um terço dos votos foram manipulados ou obtidos através de recursos administrativos

18 de abril de 2008 | 16h43

Mais de um terço dos votos recebidos por Dmitri Medvedev para novo presidente da Rússia provavelmente foram manipulados, diz um novo estudo dos resultados eleitorais. Milhões de votos para o candidato favorito para o Kremlin foram produto de uma fraude ou do uso de "recursos administrativos" pelo governo para pressionar funcionários do Estado a apoiarem Medvedev, segundo o jornal Times. Veja também:Putin aceita presidir partido e garante futuro políticoMedvedev acredita que a Rússia ingressa na OMC em 2008 Os resultados inflaram a margem de vitória de Medvedev, levando a crer que o candidato tinha um grande apoio popular como sucessor de Vladimir Putin. A escala de manipulação foi exposta por Sergei Shpilkin, físico e programador, que concluiu que 14,8 milhões dos 52,5 milhões de votos recebidos por Medvedev não podem ser explicados de outra forma. "Isso é a combinação de fraude e recursos administrativos. É difícil fazer distinção entre eles", disse o físico. "Um em cada três votos não tem explicação e o fator administrativo é um pouco mais que isso. Ele também calculou que somente 56% dos russos votaram, ao invés dos 69,7% divulgados pela Comissão Eleitoral Central (CEC) "Eu não acho que era necessário fazer toda essa pressão e falsificação porque ele venceria facilmente sem isto", acrescentou. Numa reviravolta, isso significaria que somente um terço dos 100 milhões de eleitores apoiariam Medvedev, bem longe do impressionante resultado divulgado por Moscou, de 70,3%. Shpilkin analisou que o relatório das votações das comissões eleitorais da Rússia, publicado no site CEC. Ele apresentou sua pesquisa em um seminário na quarta-feira, organizado pelo Centro Carnegie em Moscou. Sergei Shulgin, analista de eleições do Institute for Applied Economics, disse que as anormalidades mostram que as autoridades locais tentaram impressionar seus superiores pelo "aumento dos resultados. Andrei Buzin, do Interregional Association of Voters, disse que o estudo revelou uma "grosseira manipulação dos resultados." A análise adiciona força aos críticos internacionais que dizem que a eleição não foi justa ou livre. Eles irritaram o governo russo por concluírem que o "potencial democrático russo infelizmente não foi instalado", embora tenham reconhecido que o resultado reflete o desejo popular. O CEC rejeitou qualquer crítica sobre a conduta da eleição. Mas foi apontado por confirmar inconscientemente as acusações de manipulação quando ofereceu prêmios a institutos de pesquisa que projetaram perfeitamente o resultado da eleição presidencial.

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