Jonathan Bachman / Reuters
Jonathan Bachman / Reuters

Votos dependerão da resposta de Trump a danos da tormenta

Vários estudos sobre a resposta dos eleitores no caso de desastres naturais concluíram que eles castigam nas urnas as autoridades no poder

Boris Heersink, Brenton Peterson e Jeffery A. Jenkins / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 05h00

Embora as perdas pessoais e os danos à propriedade sejam a principal preocupação, já se especula como Donald Trump vai administrar o primeiro desastre natural em seu governo e se isso afetará de modo significativo suas chances de reeleição.

Com base em pesquisa que realizamos examinando o impacto dos desastres naturais sobre as eleições presidenciais americanas, acreditamos que o efeito de Harvey vai depender muito dos eleitores de Trump nos condados atingidos.

Vários estudos sobre a resposta dos eleitores no caso de desastres naturais concluíram que eles castigam nas urnas as autoridades no poder. Mas, para alguns estudiosos, se os políticos que se candidatam oferecem ajuda às vítimas de um desastre natural, os eleitores não os punem nas urnas.

Na verdade, eles até se beneficiam eleitoralmente. A punição ocorre quando nenhuma assistência é oferecida. Segundo nossa nova pesquisa, os eleitores não estão apenas avaliando o tamanho do desastre e a resposta das autoridades de governo. Estão julgando as ações das autoridades eleitas com base em suas tendências partidárias.

Como ocorre em muitos campos, os eleitores que se identificam com o partido do presidente avaliarão sua atuação após um desastre natural de maneira muito mais positiva do que aqueles ligados ao partido oposto.

Por exemplo, veja o caso do furacão Sandy, que atingiu o nordeste dos EUA dias antes da eleição presidencial de 2012 e foi um dos mais mortíferos na história recente. A maneira como o presidente Barack Obama administrou o problema foi elogiada na época – até mesmo pelo governador de New Jersey, Chris Christie, republicano.

Apesar disso, Obama não obteve resultados melhores ou piores em termos de votos nos condados afetados pelo Sandy. O impacto político do furacão só fica claro quando levamos em conta a prevalência de um partido ou outro nos condados. Obama teve uma melhor votação nas regiões afetadas onde o Partido Democrata predominava, em comparação com condados similares que não foram atingidos pelo Sandy. Em condados com predominância republicana, ele teve uma votação visivelmente pior.

Encontramos situação similar quando examinamos uma série de desastres naturais, e as medidas de socorro adotadas, entre 1972 e 2004. Nos condados atingidos ligados ao partido oposto ao do presidente os candidatos de seu partido foram duramente punidos, mesmo que a ajuda tenha sido prestada.

Responder à questão requer cautela. A resposta mais óbvia é que a próxima eleição presidencial vai demorar mais de três anos e não sabemos se algum efeito do Harvey sobre Trump vai durar. Medidas de socorro medíocres poderão prejudicar a imagem de Trump em geral, como ocorreu com George W. Bush no caso do Katrina.

Mas a pesquisa ajuda a avaliar algum efeito sobre Trump na eleição de 2020, que dependerá de vários fatores, incluindo o caminho que a tempestade vai tomar, a extensão dos danos causados e, basicamente, as medidas de socorro adotadas por seu governo.

A posição do Texas como um Estado republicano indica que é improvável que ali ocorra alguma mudança em favor do candidato democrata à presidência. Mas como a destruição provocada pelo Harvey se concentra em áreas urbanas mais inclinadas aos democratas, Trump poderá ser castigado de modo significativo em 2020. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

Heersink é professor assistente no Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Fordham. Peterson é pesquisador na Universidade Strahmore. Jenkins é professor de Política Pública, Ciências Políticas e Direito na Provost

 

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