Voyager está perto do extremo do sistema solar

A sonda espacial Voyager 1, o objeto construído por humanos a atingir o ponto mais distante da Terra já alcançado até hoje, chegou ao fim de nosso sistema solar ou começou a viajar pela região, argumentaram cientistas em dois novos e conflitantes estudos. Nesta quarta-feira, 26 anos depois de seu lançamento, a sonda Voyager 1 da Nasa estaria a aproximadamente 13,5 bilhões de quilômetros do sol. Isso representa um trajeto 90 vezes superior à distância entre a Terra e o sol. Enquanto a sonda espacial continua a se distanciar dos nove planetas do sistema solar, duas equipes de cientistas discordam sobre a localização exata da Voyager 1 em uma região do espaço ainda inexplorada e onde a influência do sol começa a se dissipar. O sol emite uma onda de partículas altamente energizadas chamada vento solar. O vento solar forma uma grande bolha em torno do sistema solar. Fora dessa bolha - cujos limites sempre se alteram - existe uma região onde as partículas são neutralizadas e começam a perder força devido à presença de estrelas mortas. Essa região é conhecida como heliopausa e marca o início do espaço interestelar e o fim de nosso sistema solar. Ainda não se sabe se a Voyager 1 já deixou nosso sistema ou se ainda se aproxima da zona onde termina a influência do sol, mas os cientistas apresentaram seus argumentos para defender ambas as teorias. Os detalhes serão publicados na edição de amanhã da revista especializada Nature. "Nenhuma das explicações é exata", alerta Len Fisk, da Universidade de Michigan, em um editorial que acompanha ambos os estudos. Uma equipe de cientistas sugere que a Voyager 1 atingiu temporariamente a extremidade do sistema solar. A outra equipe defende que a sonda ainda se aproxima do extremo. Novas observações da Voyager 1 - assim como da Voyager 2, que segue os passos de sua sonda gêmea - poderão resolver em breve a controvérsia, assim como fornecer informações sobre uma região ainda inexplorada do espaço sideral. As sondas movidas por combustível nuclear devem permanecer ativas até 2020. "Estamos iniciando a exploração de uma nova fronteira", disse Edward Stone, um cientista do Projeto Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa.

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