Vulcão chileno isola região da Patagônia argentina

A região da Patagônia argentina está isolada e em estado de alerta devido à nuvem de cinzas produzida pelo vulcão chileno Puyehue, que entrou em erupção no último sábado. O aeroporto da cidade de Bariloche está fechado e a cidade sofre com a falta de água e de energia elétrica. O mesmo ocorre em San Martin de Los Andes, Villa La Angostura e Junin, onde as aulas foram suspensas.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

07 de junho de 2011 | 14h49

"Estamos trabalhando com uma equipe de contingência, especialmente na Villa La Angostura", distante 40 quilômetros do vulcão", explicou o governador de Neuquén, Jorge Sapag, ao canal de TV argentino C5N. "É preciso esclarecer que não estamos tendo problemas com o vulcão em si, mas com a chuva de areia e de cinzas que já tem uma altura de uns 25 centímetros do solo", detalhou. Segundo ele, ao redor do vulcão, em um perímetro de 10 a 15 quilômetros, há problemas mais sérios, que estão sendo tratados por uma equipe de contingência chilena.

Localizado na fronteira entre os dois países, o vulcão desprende um material que não é tóxico, segundo o governador, mas corrosivo. "Estamos pedindo que usem óculos, colírios e máscaras, mas a situação está controlada e a população está tranquila", afirmou Sapag.

O governador disse que o estado é de alerta e que há uma emergência na pecuária porque a areia e as cinzas cobriram os pastos. No entanto, ele explicou que a equipe está trabalhando para limpar a região afetada e restabelecer os serviços de fornecimento de água encanada e de energia elétrica. Dezenas de motores geradores de energia foram levados para as cidades mais afetadas e o governo está distribuindo água potável à população. Sapag estimou que, com os fortes ventos que sopram, a poluição do vulcão poderia ser dissipada rapidamente.

Turismo

O governador tentou transmitir tranquilidade aos turistas, especialmente aos brasileiros que estão com viagem marcada para a temporada de esqui, que começa dentro de duas semanas. "Não quero levantar nenhuma hipótese sobre riscos da temporada de turismo porque estamos trabalhando duro. O comércio, os bancos e o fornecimento de combustíveis estão funcionando normalmente. A província de Neuquén está funcionando normalmente. Dentro de alguns dias, os demais serviços serão restabelecidos e normalizados", estimou o governador.

O prefeito de Bariloche, Marcelo Cascón, já não é tão otimista. Em entrevista à rádio El Mundo, de Buenos Aires, ele reconheceu que a temporada alta poderia sofrer alguma reprogramação. O prefeito explicou que quase todas as rodovias, fechadas desde o sábado, foram reabertas hoje, mas com precaução. Também relatou que choveu na manhã de hoje e isso complicou a situação de Bariloche. "As equipes não conseguiram retirar toda a cinza acumulada desde sábado e as chuvas podem entupir a rede pluvial e dificultar o trânsito nas estradas", ressaltou.

A nuvem de cinzas é tão forte que chegou ao céu da capital portenha, obrigando o cancelamento dos voos da maioria das companhias, principalmente entre a Argentina e o Brasil.

Segundo o diretor executivo do Conselho de Emergências da Província de Buenos Aires, Jorge Etcherrán, Buenos Aires não sofrerá as mesmas consequências das cidades patagônicas, que estão isoladas. "A nuvem está passando por Buenos Aires, mas não contém a mesma quantidade de partículas e, por isso, não provocaria maiores problemas à população, mas se as condições meteorológicas mudarem, podemos ter inconvenientes com a queda de cinzas", disse ele.

Tudo o que sabemos sobre:
vulcãocinzasChilePatagôniaArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.