Vulcão deve reduzir crescimento europeu em 2010

Prejuízos maiores que os do 11 de Setembro podem causar impacto significativo na economia da região, duramente afetada pela crise financeira global

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Demissões no Quênia, falta de aspargos na Suíça, interrupção da entrega de uísque escocês no Japão e restaurantes japoneses sem sushi na Europa. O vulcão na Islândia vem causando problemas para a economia bem além dos aeroportos. Institutos de pesquisas já indicam que, se a situação não melhorar, as perdas na Europa podem ficar entre 1% e 2% do PIB.

Ontem, empresas e governos passaram o dia fazendo cálculos sobre os impactos do caos causado pelo vulcão em suas atividades e a União Europeia (UE) anunciou que um grupo avaliará o prejuízo. Só o setor aéreo deve ter perdas de US$ 1 bilhão, maior que as causadas pelos ataques de 11 de setembro de 2001.

Mas o cotidiano de muitos que não viajaram também está sendo afetado. Um supermercado da Suíça - Migros - anunciou que terá aspargos só até quarta-feira, já que 95% do produto vem de fora da Europa. Em Genebra, pelo menos dois restaurantes japoneses anunciaram que podem fechar suas portas por alguns dias por causa da falta de sushi.

Na Europa, cientistas não acreditam que haja um impacto grande na produção agrícola, ainda que a Universidade de Bristol lembre que a erupção de um vulcão na Islândia em 1783 destruiu plantações e causou uma grande fome na França. Alguns anos depois, ocorreu a Revolução Francesa, liderada pelos segmentos mais miseráveis do campo.

Produtos como o peixe da Islândia, o atum do Vietnã, alface e legumes também correm o risco de faltar - já que são transportados por avião para chegar aos consumidores ainda frescos. Milhares de garrafas de uísque escocês se acumulam nos aeroportos da Grã-Bretanha, esperando a reabertura dos aeroportos.

Crise mais longa. Economistas alertam que a retomada da economia europeia pode ser comprometida nesse pós-crise financeira global. Segundo o centro de pesquisas Chatham House, os prejuízos podem variar de 1% a 2% do PIB da Europa. Na Grã-Bretanha, as perdas devem ser de US$ 150 milhões por dia, de acordo com o Centro para a Pesquisa Econômica (CEBR).

Segundo a entidade, se a paralisação continuar por uma semana, a economia britânica pode perder US$ 1,5 bilhão. E mesmo que todos os espaços aéreos sejam reabertos, estima-se que a normalização dos serviços leve seis dias.

O caos também afetou as bolsas pela Europa. As ações da Iberia caíram 2,6%, as da Air France, 2,9%, as da British Airways, 1,4% e as da Lufthansa, 2,6%. A maior preocupação é ainda com as pequenas empresas do setor. "Algumas companhias aéreas europeias podem não voar mais em duas semanas se essa situação continuar", afirmou a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), ontem, em Genebra.

Mas há quem esteja ganhando. Balsas operam com capacidade máxima. O Eurostar colocou novos trens para cruzar o Canal da Mancha, com 50 mil passageiros a mais por dia. As ações do grupo subiram em 2,5%. No aeroporto de Genebra, estudantes ofereciam levar passageiros em seus carros para destinos como Paris, Barcelona e Berlim. Nada por menos de 2 mil, sem contar o custo de pedágio.

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