Enoch David/Reuters
Enoch David/Reuters

Vulcão entra em erupção e lança rio de lava sobre cidade na República Democrática do Congo

Atividade vulcânica repentina do Nyiragongo deixou casas em chamas na cidade de Goma, no leste do país; população foi retirada, mas pelo menos 15 pessoas morreram

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2021 | 05h57
Atualizado 23 de maio de 2021 | 18h42

GOMA — Um rio de lava atingiu a cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo, depois que o vulcão Nyiragongo, ao redor do qual se desenvolveu a região, entrou em erupção repentina, fazendo com que os moradores fugissem aterrorizados. Imagens impressionantes circularam nas redes sociais na noite de sábado, mostrando casas em chamas e engolfadas por lava avermelhada nos arredores do município.

Segundo o governo local, 15 pessoas morreram, 9 durante a retirada dos moradores, 2 queimadas e 4 em uma prisão central da cidade. Na noite deste domingo, o rio de lava já havia se estabilizado e os moradores começavam a retornar para suas casas, apesar do risco de novas erupções. 

A erupção começou repentinamente à noite. Um brilho avermelhado subiu da cratera e um cheiro de enxofre se espalhou pela cidade, conforme relato de moradores. A súbita atividade vulcânica preocupou a população, apesar de estar familiarizada com a fúria do Nyiragongo. "O céu ficou vermelho. Há um cheiro de enxofre. À distância, você pode ver chamas gigantes saindo da montanha", disse um morador à agência de notícias France Presse.

Em uma mensagem gravada e transmitida na rádio local e nas redes sociais, o governador da província de Kivu do Norte, onde Goma está localizada, general Constant Ndima, confirmou a erupção do vulcão. Rapidamente, o governo congolês, que se reuniu em conselho de crise na capital Kinshasa, ordenou que a cidade fosse esvaziada. Já o presidente do país, Felix Tshisekedi, anunciou que retornaria no domingo de uma viagem à Europa para supervisionar a coordenação dos serviços de resgate.

A energia elétrica foi cortada em grande parte da cidade e milhares de residentes, muitos acompanhados de suas famílias, fugiram até a fronteira com Ruanda caminhando, de carro ou de motocicleta. Uma multidão fugiu com colchões na cabeça, pacotes e crianças nos braços.

“Há muitas pessoas na estrada, muitos carros fugindo”, disse à France Presse um homem que estava levando sua família de carro para outra cidade. “O trânsito anda a passo de lesma, em três ou quatro pistas. Os carros estão cheios de objetos pessoais, colchões no porta-malas ou no teto”, descreveu ele, no sábado. “Tem crianças, mulheres, idosos que estão caminhando, e com a chuva é complicado.”

A última grande erupção do Nyiragongo ocorreu de 17 de janeiro de 2002 e matou mais de 100 pessoas, cobrindo a maior parte da parte leste de Goma com lava, incluindo metade da pista do aeroporto. Na noite de sábado, segundo um vulcanologista do Observatório de Goma, Mahinda Kaserek, o rio de lava seguia o mesmo curso de 19 anos atrás.

Em um relatório de 10 de maio, o Observatório pediu vigilância porque a atividade sísmica-vulcânica em Nyiragongo havia "aumentado".

Horas após a erupção, o governador Constant Ndima voltou à transmissão de rádio para comunicar que a lava havia parado de avançar  e que Goma se salvou do vulcão. /AFP

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