Waldner apresentará mecanismo de ajuda a palestinos

A Comissária de Assuntos Exteriores da União Européia (UE), Benita Ferrero Waldner, apresentará hoje o novo mecanismo de ajudas para a população palestina a Israel e à Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas.Para isso, Ferrero Waldner se reunirá em Israel com a ministra de Assuntos Exteriores Tzipi Livni, com quem se reuniu na semana passada em Luxemburgo.A Comissária anunciou na sexta-feira que se trata de um mecanismo aprovado por todos os membros do Quarteto de Madri, que, além da UE, é formado por Estados Unidos, ONU e Rússia, e que a Europa contribuirá com cem milhões de euros.O novo mecanismo, destinado a amenizar a crise econômica e humanitária na Cisjordânia ocupada e na faixa autônoma de Gaza, permitirá fornecer a ajuda sem que as transferências de dinheiro passem pelo Governo do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas.A implantação do novo sistema, destinado a financiar programas de assistência social e obras de infra-estrutura municipal, foi criticada por Abbas e pelo Hamas, que não acreditam que é possível aplicá-lo sem a ajuda do aparelho administrativo do Governo.Ainda não se sabe se essas ajudas, que começarão a ser fornecidas em julho, compreendem o pagamento dos salários dos funcionários do Governo palestino.O jornal israelense "Yediot Aharonot" informou que o plano do Quarteto de Madri prevê uma contribuição de US$ 200 mensais a 180 mil famílias palestinas pobres.O Hamas está na lista de organizações terroristas da UE e dos EUA, motivo pelo qual desde que Haniyeh assumiu o poder, em março, suspenderam suas doações à ANP. Por causa deste boicote, os 160 mil funcionários públicos palestinos, inclusive os da segurança, não recebem seus salários desde março.O ministro de Exteriores da ANP, Mahmoud Zahar, disse no domingo em Gaza que obteve doações de US$ 400 milhões de países árabes e islâmicos, o que permitiria ao Governo pagar os salários de três meses. Mas, para introduzir a ajuda nos territórios palestinos, terá que usar a passagem fronteiriça de Rafah, entre Egito e Gaza.O boicote internacional contra o Governo do Hamas inclui os grandes bancos, que, por temor a represálias, se negam a fazer transferências de dinheiro para a ANP.Zahar entrou na semana passada com US$ 20 milhões por essa passagem de Rafah.Segundo fontes do Ministério de Exteriores israelense, Livni se opõe a que a ajuda fornecida por UE, EUA e outros doadores seja usada para pagar os salários pois, neste caso, o dinheiro chegaria às mãos do Governo do Hamas.O deputado e porta-voz do Hamas em Gaza, Sami abu Zuhri, afirmou que "a postura da UE em relação à causa palestina é mais débil que antes e isso se deve à influência dos Estados Unidos". "A Europa entende muito bem a difícil situação dos palestinos, mas enfrenta as pressões desse país", acrescentou.Livni deve receber o mecanismo com reservas se o Quarteto exigir a Israel que retome suas transferências à ANP, da qual é agente de retenção de impostos. As transferências poderiam ser feitas através do organismo internacional que ficará a cargo do novo mecanismo.Ainda não se sabe se será um organismo já existente ou um criado especialmente para a distribuição das ajudas.Israel também suspendeu essas transferências à ANP, de US$ 50 milhões mensais, depois que o Hamas assumiu o Governo palestino.

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