''Wall Street Journal'' critica o chefe para manter credibilidade

Jornal, que pretence a Rupert Murdoch, surpreendeu leitores ao criticar magnata

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

Depois de ser criticado por sua acanhada cobertura do escândalo dos grampos, o Wall Street Journal, que pertence a Rupert Murdoch, surpreendeu os leitores ontem ao trazer até mesmo críticas ao magnata. A manchete dizia que os "Murdochs foram pressionados" no depoimento de terça-feira, deixando claro que o pai e o filho, James, pediram desculpas pelos grampos.

 

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A reportagem interna foi ainda mais longe, dizendo que a idade de Murdoch - 80 anos - tornou-se uma preocupação para investidores. O jornal cita um acionista que admite que a saída do magnata traria "conforto" a grupo. O texto também fala sobre a possibilidade da saída de Murdoch do cargo de CEO da empresa - seu substituto seria Chase Carey, que dirige as operações da News Corp.

Um dos motivos para o Wall Street Journal se esforçar para mostrar independência, segundo analistas, está na tentativa de manter sua credibilidade - o diário é o de maior circulação dos EUA. Uma entrevista com Murdoch, publicada pelo jornal na semana passada, foi muito criticada pela imprensa americana por ter sido muito suave com o magnata.

Outros jornais da News Corp., como o tabloide New York Post, que normalmente colocaria o escândalo na capa, esconderam o caso em suas páginas internas, evitando críticas a Murdoch. A Fox News, que também pertence a Murdoch, exibiu seu depoimento no Parlamento, mas seus apresentadores não emitiam suas tradicionais opiniões.

Os concorrentes, por sua vez, tem aproveitado a oportunidade para dar ampla cobertura ao escândalo. O tabloide Daily News publica a história na capa quase todos os dias, com manchetes ironizando Murdoch e o rival New York Post. O tradicional New York Times também tem dedicado um bom espaço à cobertura do caso e a CNN levou ao ar ontem várias críticas à News Corp. Apenas o seu âncora Piers Morgan, que foi editor do News of the World nos anos 90, saiu em defesa do ex-chefe.

 

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