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Walmart se rende a Sheryl Crow

Rede de supermercados restringiu a venda de armas a maiores de 21 anos

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 04h00

Ninguém sabia ainda o destino trágico que teriam Columbine, Sandy Hook, Virginia Tech, Newtown ou Parkland – e Sheryl Crow já cantava, em Love is a good thing, sobre as crianças que se matavam “com a arma que compraram nas lojas baratas do Walmart”. Pois só na semana passada o Walmart, a exemplo de outros varejistas, restringiu a venda de armas a maiores de 21 anos.

Empresas como Hertz e Delta cancelaram programas de descontos e relações que mantinham com a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o lobby das armas nos EUA. É incerto o efeito que as restrições à venda de armas têm nos índices de violência. Mas é certo que a opinião pública nunca foi tão favorável a medidas de controle.

Mais de 80% concordam com o veto da venda a menores de 21, segundo uma pesquisa da Morning Consult para o site Politico. Proibição a quem tenha histórico de problemas mentais, ex-criminosos e verificação de antecedentes alcançam quase 90% de apoio. A proporção de partidários do controle de armas beira os 70%. Mesmo entre republicanos, o apoio às restrições cresceu de 37%, em 2016, para 53%.

O presidente Donald Trump, eleito com apoio da NRA, se afastou da posição republicana, contrária a qualquer controle. Até a New Yorker, publicação que só critica Trump, aprovou a guinada. A mudança cultural e a reação das corporações poderá ter mais efeito na violência que qualquer lei ou decisão da Justiça.

Produção na rede

Facebook nem quer saber de pagar por conteúdo

Mesmo antes de anunciar que deixaria de dar destaque a conteúdos jornalísticos, o Facebook já dava sinais de desprezo pela imprensa. Em março de 2017, desistiu de pagar empresas jornalísticas por vídeos para o Facebook Live. O resultado, segundo uma análise da Universidade Columbia, com 17 veículos americanos, foi uma queda média de 51% na produção até o fim do ano (94% em alguns casos).

Tempos modernos

Estudo comprova polarização no Twitter

Uma análise de mais de 160 mil contas do Twitter num período de nove meses demonstra como as redes sociais favorecem bolhas formadas por quem pensa igual. Por meio das hashtags e seguidores dessas contas, antes da eleição americana de 2016, pesquisadores da Universidade de Washington construíram um mapa de relações que deixa visível a separação em dois grupos antagônicos, quase sem nenhum ponto de contato.

Transgênero

Jordan Peterson e o nome dos transexuais

Os nomes e pronomes usados para referir-se a transexuais e transgêneros – tema de decisão do Supremo brasileiro na semana passada – foram o estopim da fama de Jordan Peterson, o acadêmico canadense que conquistou o público conservador americano com o livro 12 Rules for Life (“12 Regras para a Vida”). Em 2016, ele se revoltou contra a lei que proibia no Canadá a discriminação por “expressão de gênero e identidade de gênero” e obrigava o uso de pronomes neutros, por considerá-la uma afronta à liberdade de expressão. Seus vídeos viralizaram e Peterson se tornou uma estrela.

Rússia

Homenagem ao maior opositor de Putin

A rua da embaixada da Rússia em Washington recebeu, no dia 27, o nome Boris Nemtsov Plaza, homenagem ao maior opositor do governo Putin, assassinado três anos antes. Em Moscou, ativistas mantêm desde então uma vigília, 24 horas por dia, na ponte diante do Kremlin em que Nemtsov foi baleado, aos 55 anos, num crime até hoje não esclarecido. “O preço da liberdade é alto”, afirmou Nemtsov em sua última entrevista, horas antes de morrer.

No cinema

Costa-Gavras quer filmar crise na Grécia

O cineasta franco-grego Costa-Gavras decidiu transformar em filme Adults in the Room, livro em que o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis dá sua versão para a negociação da dívida que quase levou à implosão do euro em 2015. Irredutível, visto como responsável pelo agravamento da crise, Varoufakis não se arrepende de ter levado seu país à beira do Grexit.

 

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