Washington admite que dará proteção a rebeldes líbios

Conselheiro da Casa Branca diz que opositores também são civis e um dos objetivos de ofensiva é obter saída de Kadafi

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

Os Estados Unidos admitiram ontem dar proteção aos rebeldes líbios, por considerá-los parte da população civil sob ataque do governo de Muamar Kadafi, e reiteraram ser um objetivo da política americana a deposição desse regime. Essas posições foram expressas por Thomas Donilon, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca. Donilon acompanhou o presidente dos EUA, Barack Obama, em seus dois dias de visita ao Brasil. Indiretamente, ele confirmou o fato de a decisão sobre a intervenção militar americana na Líbia ter sido tomada por Obama dentro do Palácio do Planalto, entre sua reunião com a presidente Dilma Rousseff e a declaração para a imprensa.

"Eles são civis", reconheceu Donilon, ao ser questionado se os rebeldes eram considerados como tal pelos EUA e, portanto, sujeitos à proteção da coalizão contra os ataques do regime de Kadafi. "Civil é civil", disse após pressão de jornalistas.

Conforme admitiu, o objetivo de longo prazo da ação será "isolar cada vez" mais Kadafi, para provocar a sua deposição. "Os esforços dos EUA e da coalizão são contra um regime de força. Está claro que essa é uma ação para proteger os civis contra um regime militar que os ataca", afirmou, para em seguida reforçar o fato de esse objetivo estar amparado na resolução 1.973 do Conselho de Segurança da ONU.

Donilon insistiu que Kadafi "não tem legitimidade". Explicou que os ataques da coalizão são especificamente contra a defesa aérea de Kadafi e as forças leais ao ditador que avançavam sobre a cidade de Benghazi, principal reduto rebelde no este do país.

Ele também confirmou o anúncio de que os EUA entregarão o controle da operação na Líbia em "alguns dias ou semanas". "A coalizão ou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assumirá a responsabilidade por essa ação", afirmou, enfatizando o fato de os EUA liderarem os ataques nessa fase inicial por causa de sua "capacidade única" de coordenação eficiente de diferentes forças militares.

Planalto. Segundo Donilon, Obama tomou a decisão sobre a participação dos EUA na missão para criar uma zona de exclusão aérea na Líbia pouco depois das 12h17 de sábado, quando se juntou a uma conferência telefônica com os secretários de Estado, Hillary Clinton, de Defesa, Robert Gates, o almirante Mike Mullen e o conselheiro-adjunto de Segurança Nacional, Denis McDonough. Donilon também participou da reunião. Naquele momento, Obama havia terminado sua primeira reunião com a presidente Dilma, no Palácio do Planalto. Dilma teria, portanto, esperado Obama terminar a conversa com seus subordinados para ambos iniciarem sua declaração à imprensa.

Antes do encontro com Dilma, no sábado, Obama já tinha recebido informações de seus assessores sobre a questão da Líbia. Hillary estava em Paris naquele dia, representando Obama em uma reunião com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e representantes de vários países ocidentais e árabes sobre a ação militar conjunta. No vôo de Washington a Brasília, Obama já havia recebido informações de seus assessores.

A concentração de Obama na questão líbia deverá continuar em suas visitas ao Chile, hoje, e a El Salvador, amanhã e quarta-feira. Ontem, no Rio de Janeiro, ele manteve outra conferência telefônica com Hillary, Gates, seus conselheiros de Segurança Nacional e os comandantes militares sobre os novos passos e para rever as ações das 24 horas anteriores. Por causa dessa conferência, transferiu sua visita ao Cristo Redentor, marcada inicialmente para as 9h30, para as 21 horas. Ao meio dia, conversou por telefone com o rei Abdullah, da Jordânia, sobre a intervenção militar na Líbia e recebeu em seguida novas informações.

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