Washington anuncia sanções contra Assad, da Síria

EUA adotam postura mais rígida em relação à violência e à repressão aos protestos populares

Associated Press

18 de maio de 2011 | 14h45

Bashar al-Assad, durante conferência da Liga Árabe, em março do ano passado

 

WASHINGTON - O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira, 18, que vai impor sanções ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, e a outros seis membros da administração de Damasco por abusos contra os direitos humanos na repressão contra as manifestações populares contrárias ao regime. É a primeira vez que Washington penaliza o líder sírio pelo uso excessivo de força.

 

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A Casa Branca fez o anúncio sobre as sanções nesta quarta, um dia antes de o presidente Barack Obama discursar no Departamento de Estado, em Washington, sobre as revoltas no norte da África e no Oriente Médio.

 

 

Em carta aos parlamentares americanos, Obama disse ter ordenado as novas sanções para responder à "contínua escalada da violência contra o povo da Síria" por parte do governo. O presidente citou "ataques contra os manifestantes, prisões e abusos contra ativistas e a repressão de mudanças democráticas, atos supervisados e executados por vários elementos do governo sírio".

 

Entre as sanções estão o congelamento de todos os bens que Assad e os outros seis membros do governo têm sob jurisdição dos EUA e a ilegalidade de negociações com eles. Medidas similares foram impostas sobre dois parentes do presidente e um outro alto funcionário do governo na semana passada.

 

"As ações que o governo tomou hoje enviam uma inequívoca mensagem ao presidente Assad, às lideranças sírias e aos membros do regime - que eles serão considerados responsáveis pela violência e pela repressão no país", disse o subsecretário do Tesouro para assuntos relacionados ao terrorismo, David Cohen.

 

Na terça-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, havia dito que Washington e a União Europeia dariam novos passos em relação à repressão na Síria. A Casa Branca chegou a dizer, na terça, que "o tempo está acabando" para que a Síria evite sanções.

 

A mudança de postura dos americanos sobre o regime de Assad, que já dura mais de dez anos, ficou evidente no início da semana, quando o porta-voz do governo, Hay Carney, afirmou que "a Síria deveria passar por reformas democráticas" e que o governo deveria ser "um reflexo da vontade do povo".

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