Washington corta US$ 60 milhões da agência

Casa Branca e oposição unem-se em críticas à decisão da Unesco; ação de Obama tem apoio em leis do início dos anos 90

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2011 | 03h05

Os EUA suspenderam o repasse de US$ 60 milhões para a Unesco que seria pago este mês, após a maioria dos integrantes do órgão da ONU ter aprovado a adesão da Palestina como membro pleno. Washington contribui com US$ 80 milhões anuais - ao todo, 22% do orçamento da Unesco.

A oposição à entrada da Palestina na agência internacional uniu republicanos e democratas nos EUA. A suspensão do pagamento foi confirmada pela porta-voz da diplomacia americana, Victoria Nuland. Ela explicou que, com a inclusão da Palestina como membro da Unesco, a contribuição dos EUA esbarra em "restrições legislativas" internas.

Duas leis americanas - uma aprovada em 1990 e outra em 1994 - vetam o repasse de dinheiro público dos EUA "à ONU ou a qualquer agência das Nações Unidas que conferir à Organização de Libertação da Palestina status de Estado-membro".

Os EUA retiraram-se da Unesco em 1984, durante o governo Ronald Reagan, em protesto contra as "políticas antiamericanas" da organização. Em 2002, no governo George W. Bush, Washington retornou ao órgão, sob a égide do combate ao fundamentalismo islâmico.

Ontem, o porta-voz de Obama, Jay Carney, repetiu o mantra dos EUA contra a adesão da Palestina à ONU, segundo o qual o único caminho para a paz e a segurança na região seria o da negociação direta entre israelenses e palestinos. Para Carney, a decisão da Unesco é prematura e "dispersa a atenção". "É prematura e mina o objetivo compartilhado pela comunidade internacional de alcançar uma paz ampla, justa e duradoura no Oriente Médio", afirmou, sem mencionar o fato de a medida ter sido aprovada por 107 dos 194 membros da Unesco. Apenas 14 votaram contra, como os EUA, e 52 se abstiveram.

As críticas à votação na Unesco aproximaram os discursos da Casa Branca aos da maioria republicana da Câmara. A presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, a republicana Ileana Ros-Lehtinen, chamou a decisão de "anti-israelense" e "antipaz".

Mais ácido opositor às políticas de Obama no Congresso, o deputado republicano Eric Cantor a considerou uma "afronta" ao processo de paz e um "impedimento" às negociações. "Os americanos não estarão do lado do governo palestino em sua busca por reconhecimento internacional. Ficaremos do lado de Israel como nosso mais valioso aliado na região. A Autoridade Palestina precisa entender que a paz somente será alcançada quando o Estado de Israel for aceito e respeitado."

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