Washington demora a se decidir sobre ajuda de US$ 1,5 bi

CENÁRIO: Denise Chrispim Marin

O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2013 | 02h07

Passados dois dias da destituição do presidente egípcio, Mohamed Morsi, o governo dos EUA não respondeu uma pergunta de US$ 1,5 bilhões: considerou a deposição um golpe de Estado ou não? A resposta definirá a remessa da ajuda militar americana e US$ 1,3 bilhão e de mais US$ 200 milhões, em caráter econômico, para o ano-fiscal de 2014. Montante similar já foi enviado ao Cairo em maio. Ontem, o presidente Barack Obama preferiu deixar essa questão em suspenso. Por lei, a ajuda deveria ser suspensa em caso de golpe - Obama evitou esta palavra.

No dia seguinte do feriado de 4 de Julho, Obama jogou golfe entre 9 horas e 14h43. Com o fim de semana prolongado pelo feriado, o Congresso não funcionou ontem. Do Departamento de Estado, saiu ontem apenas uma constrangida confissão: o secretário John Kerry passou "parte" da quarta-feira, dia da queda de Morsi e de extrema violência no Egito, no seu iate Isabel, de 23 metros, na costa de Massachusetts. No dia seguinte, a instituição havia negado a veracidade dessa notícia. "Enquanto esteve brevemente em seu barco na quarta-feira, o secretário trabalhou o dia todo participando da reunião do presidente com seu Conselho de Segurança Nacional", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

As discussões internas do governo Obama sobre como qualificar a queda de Morsi continuam, com foco especial na continuidade ou não da ajuda bilionária. O Senado, de volta à pauta regular na segunda-feira, deverá interferir na decisão final da Casa Branca. O Egito é o destino da segunda maior remessa em ajuda do governo americano, garantida desde a assinatura, em 1979, do acordo de paz egípcio-israelense, em Camp David, a residência de campo da presidência.

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