Washington explicará espionagem a 2 missões do Brasil

Brasília enviará aos EUA técnicos encarregados de trazer detalhes do sistema a comissões de técnicos e de políticos

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h04

O Brasil vai enviar duas comissões a Washington para ouvir do governo americano explicações sobre o caso de espionagem de cidadãos e instituições brasileiras. O primeiro grupo será técnico e deverá tratar com peritos americanos. O segundo será político - possivelmente em nível ministerial - e quer conversar sobre mudanças na relação dos EUA com a espionagem em outros países.

Depois de se oferecer para receber uma comissão, o governo americano informou que irá apresentar aos técnicos brasileiros o sistema de monitoramento usado pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e em qual contexto é usado. A ideia inicial era de que os peritos americanos viessem ao Brasil, mas a presidente Dilma Rousseff acreditou ser mais produtivo que os brasileiros fossem a Washington.

Uma lista de questões para os americanos está sendo preparada por peritos brasileiros que fazem parte do grupo técnico, formado pelo governo há cerca de duas semanas para confirmar a existência da espionagem e em que grau ela teria ocorrido. A intenção é que eles voltem com informações e apresentem um relatório ao governo para servir de base para a segunda visita, possivelmente formada por ministros.

Nesse segundo encontro, o governo brasileiro pretende levar sugestões de mudanças na prática americana de monitoramento para que não haja mais o que foi considerado pela presidente como uma quebra de soberania. Nenhuma das duas visitas tem data marcada.

O convite para a viagem a Washington, feito primeiro pelo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, não foi respondido pelo governo brasileiro. Na semana passada, o vice-presidente Joe Biden ligou para a presidente Dilma Rousseff para tratar do assunto e repetiu o convite, finalmente aceito.

Ontem, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, confirmou que os encontros estão sendo negociados. "Haverá uma primeira conversa, mais técnica, com peritos americanos, e um segundo momento, mais abrangente, em nível político", afirmou o chanceler brasileiro.

A intenção é que o caso seja tratado paralelamente e não interfira na visita de Estado que Dilma fará a Washington em 23 de outubro. Apesar de ter ficado irritada com o caso e de exigir respostas, a própria presidente disse que não pretendia criar uma crise política entre os dois países.

Além da pedir mudanças nas políticas americanas de monitoramento, o governo brasileiro começa a agir em fóruns multilaterais. Diplomatas brasileiros sondam, especialmente nas Nações Unidas, a receptividade dos demais países a um marco legal internacional sobre o assunto.

Há resistência ao tema, especialmente por medo de restrições ao trabalho de inteligência. A intenção do Itamaraty é centrar as discussões em segurança cibernética, o que tem ajudado a ganhar adesões incipientes. A Alemanha deu mostras de simpatia pelo tema, assim como outros países que descobriram ser monitorados pelos EUA.

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