Washington garante a israelenses que Irã não é perigo iminente

Segundo assessor de Obama, americanos conseguiram adiar em alguns meses um ataque preventivo israelense

NYT, AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O jornal The New York Times informou ontem que o governo dos EUA garantiu a Israel que a transformação do material nuclear do Irã em arma atômica levaria no mínimo um ano. A reportagem cita declarações de Gary Samore, principal assessor nuclear do presidente Barack Obama. Samore acredita que as possibilidades de um ataque preventivo de Israel contra instalações nucleares iranianas foram sensivelmente reduzidas nos próximos meses.

As conclusões dos EUA têm como base informações de inteligência obtidas nos últimos meses e relatos dos inspetores que tiveram acesso às instalações iranianas.

Samore disse que os inspetores internacionais têm capacidade para detectar, em questão de semanas, qualquer movimento do Irã para o enriquecimento de urânio em níveis militares, o que daria aos EUA e a Israel o tempo suficiente para coordenar uma resposta. "Acho que ainda temos cerca de um ano", disse Samore.

Israel já indicou que atacará as instalações nucleares do Irã diante da iminência da construção de uma bomba nuclear. Até então, agências de inteligência do país acreditavam que Teerã estivesse a apenas alguns meses de enriquecer urânio para uso militar.

De acordo com o Times, a demora no programa de enriquecimento de urânio do Irã pode estar ligada a falhas no desenho das centrífugas ou nos esforços do Ocidente para sabotar o cronograma iraniano. "Ou eles não têm o equipamento adequado ou têm dúvidas sobre sua capacidade técnica", disse Samore.

Segundo diplomatas americanos, Israel está bastante preocupado com a possibilidade de o Irã espalhar suas instalações nucleares pelo país, tornando praticamente impossível que um ataque aéreo afete o programa nuclear.

Teste. O ministro de Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, afirmou ontem que o país testou um míssil terra-terra, chamado Qiam. O ministro não informou o local do teste, que teve imagens divulgadas pela TV estatal.

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