Evan Vucci/AP
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Washington impõe sanções a entidades do Irã por ingerência nas eleições americanas 

Tesouro não explicou claramente o vínculo entre essas sanções e as acusações formuladas na quarta-feira pelo diretor de Inteligência Nacional dos EUA, John Ratcliffe, que afirmou que a Rússia e o Irã tentaram interferir nas eleições

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 20h22

WASHINGTON - O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 22, que impôs sanções a cinco entidades iranianas, entre elas a Guarda Revolucionária, por "tentativas descaradas de interferência" nas eleições americanas deste ano. 

O departamento argumentou que esses "grupos trabalharam para semear a discordia entre os eleitores ao difundir desinformação na internet e por executar operações de influência maligna com o objetivo de confundir os americanos".  "Entidades do governo iraniano, disfarçadas de mídia, miraram os EUA com o objetivo de minar o processo democrático."

O Tesouro não explicou claramente o vínculo entre essas sanções e as acusações formuladas na quarta-feira pelo diretor de Inteligência Nacional dos EUA, John Ratcliffe, que afirmou que a Rússia e o Irã tentaram interferir nas eleições presidenciais de 2020. Ratcliffe fez os anúncios em uma entrevista coletiva organizada às pressas que também incluiu o diretor do FBI Chris Wray.

O anúncio duas semanas antes da eleição mostrou o nível de alarme entre as principais autoridades dos EUA de que atores estrangeiros estavam tentando minar a confiança dos americanos na integridade do voto e espalhar desinformação na tentativa de influenciar seu resultado.

"Confirmamos que algumas informações de registro de eleitores foram obtidas pelo Irã e, separadamente, pela Rússia", disse Ratcliffe durante a entrevista coletiva. As agências de inteligência dos EUA advertiram anteriormente que o Irã poderia interferir para prejudicar Trump e que a Rússia estava tentando ajudá-lo nas eleições.

A maior parte desse registro eleitoral é público. Mas Ratcliffe disse que funcionários do governo "já viram o Irã enviar e-mails falsos destinados a intimidar eleitores, incitar a agitação social e prejudicar o presidente Trump". Ratcliffe estava se referindo a e-mails enviados na quarta-feira e projetados para parecer que vinham do grupo pró-Trump Proud Boys, de acordo com fontes do governo.

As autoridades iranianas rejeitaram, por sua vez, o que descreveram como "invenções".

"O regime iraniano usa narrativas falsas e outros conteúdos enganosos para tentar influenciar as eleições dos EUA", disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, na quinta-feira, sem dar mais detalhes. Ele prometeu "combater os esforços de qualquer ator estrangeiro que ameace o processo eleitoral".

As entidades alvo são a Guarda Revolucionária e sua unidade de elite para operações estrangeiras, a Força Quds, ambas já penalizadas em diversas ocasiões por Washington.

Desta vez, também impõe sanções ao Instituto Bayan Rasaneh Gostar, apresentado como a ferramenta de propaganda da Guarda Revolucionária, assim como a União Iraniana de Rádio e Televisão Islâmica e a União Internacional de Mídia Virtual.

"A equipe de Bayan Gostar previu influenciar a eleição explorando questões corporativas nos Estados Unidos, incluindo a pandemia covid-19, e denegrindo personalidades políticas americanas", declarou o Tesouro./AFP e REUTERS

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