Washington invoca TIAR na OEA

Os Estados Unidos invocaram nesta quarta-feira o Tratado Interamericano de Assistância Recíproca (Tiar), na reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas esclareceram que não estão pedindo apoio militar aos 34 países membros da instituição."O que os Estados Unidos mais precisam neste momento é da solidariedade internacional", explicou o representante norte-americano na OEA, Roger Noriega.Ele disse que, ao invocar o Tiar, o governo dos EUA está pretendendo "enviar um forte sinal de que os ataques aos Estados Unidos constituem uma agressão a todos os países das Américas".Pelo Tiar, assinado no Rio de Janeiro em setembro de 1947, uma agressão a um país da organização é um ataque a todos.Os representantes dos países membros no Conselho Permanente da OEA condenaram com vigor os ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington. E estudavam a convocação de uma reunião de chanceleres para sexta-feira, em Washington, a fim de adotar "medidas continentais contra a barbárie terrorista".A sessão extraordinária começou com quase três horas de atraso motivados por consultas dos representantes aos respectivos governos sobre as resoluções apresentadas para convocação da reunião extraordinária no contexto do Tiar.Uma delas (apoiada pelo Brasil e outras sete nações) foi o artigo 11 do Tiar, que justifica a convocação para consultas. A segunda fundamenta-se nos artigos 61 e 65 da Carta da OEA, que falam de respostas à ameaça da segurança hemisférica, que representa o terrorismo internacional, sem mencionar o Tiar.Os trabalhos foram abertos com a observação de um minuto de silêncio em memória das vítimas da tragédia. Cada um dos membros relatou sua indignação contra "os atos desumanos que atingem todas as nações do Hemisfério".O representante mexicano, Miguel Ruíz CabaÏas, disse que, para o presidente de seu país, Vicente Fox, o Tiar é obsoleto e inútil - um documento mantido durante todos esses anos sem nenhuma mudança.Em sua intervenção, o representante do México pediu a convocação da 22ª reunião de consultas de chanceleres da instituição na sede da OEA, em Washington.Ruíz Cabañas condenou os atentados com veemência e pediu providências enérgicas contra seus autores.Para Noriega, o representante norte-americano, o Tiar está em plena vigência. "Tanto sob a Carta da OEA, como sob o Tiar, existe uma obrigação dos países membros de participar da defesa comum americana contra esse crime que é o terrorismo. "Deve existir uma vontade e um dever de unir-se aos Estados Unidos para fazer frente a esta ameaça internacional."Insistindo em que os Estados Unidos só querem solidariedade neste momento, Noriega pediu medidas a longo prazo contra o terrorismo "que é hoje uma ameaça mundial".

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