Washington lamenta publicação de fotos de Abu Ghraib

O Governo dos EUA considerou hoje "lamentável" a divulgação de mais fotografias dos abusos cometidos na prisão iraquiana de Abu Ghraib, e sustentou que atua com transparência no tratamento de seus presos suspeitos de Terrorismo. "As fotos que foram divulgadas hoje são repugnantes e mostram condutas reprováveis", afirmou hoje o assessor legaldo Departamento de Estado, John Bellinger, em entrevista coletiva.As novas fotos foram divulgadas primeiro pela televisão australiana SBS, sendo reproduzidas depois por vários meios de comunicação de todo o mundo.Segundo o funcionário, os EUA não facilitaram a publicação de todas as fotos dos abusos ocorridos em Abu Ghraib há mais de dois anos em consideração aos direitos dos prisioneiros de não serem mostrados. "É infeliz (a publicação), e além disso foram divulgadas no momento em que só contribuem para reacender as chamas da opinião pública no mundo todo", acrescentou.Para Bellinger, o relatório da ONU divulgado esta semana que recomenda o fechamento da prisão na base americana de Guantánamo, em Cuba, "tem erros fundamentais, e está cheio de pontos que não são corretos".Segundo o alto funcionário, os redatores do relatório nunca visitaram Guantánamo, embora EUA os tenham convidado a isso. "Nós queremos que haja transparência, e o relatório se sustentou nas declarações de membros da Al-Qaida libertados e no que foi dito pelos advogados que representam os prisioneiros".Segundo o diretor-executivo da Anistia Internacional nos EUA, William Schulz, as fotos também fazem com que se pergunte que outros abusos ocorreram ali e em outras partes quando não havia câmeras presentes. "Essas imagens não mostram simplesmente os excessos de alguns poucos soldados, mas são o resultado direto da política do Governo dos EUA", disse ele.O diretor criticou a postura do governo. "Dado o silêncio do Governo (do presidente George W. Bush) sobre as prisões clandestinas da Agência Central de Inteligência e a exceção que o presidente Bush criou para si mesmo quando assinou a Lei contra a Tortura, a política sobre tortura continua sendo hoje tão turva como quando as primeiras fotos estremeceram o mundo", concluiu.

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