AP Photo/Elaine Thompson
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Washington legaliza método para transformar corpos humanos em adubo

Estado se torna o primeiro a aprovar medida sobre o tema em todo o território americano; autor da lei diz que política pública 'faz sentido' pelo baixo impacto ambiental

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 01h53

PORTLAND, EUA - O governador de Washington, Jay Inslee, sancionou nesta terça-feira, 21,  uma lei que autoriza o uso de corpos humanos em adubo para a fertilização dos solos, em decisão ainda sem precedentes nos Estados Unidos.

A nova alternativa ao enterro tradicional ou à cremação representa uma opção mais ecológica para o meio ambiente, transformando os corpos em adubo. Sem ser embalsamado, o cadáver é colocado em uma câmara de compostagem junto com outros materiais orgânicos, produzindo cerca de 0,75 metros cúbicos de produto.

Fundadora e diretora-geral da empresa Recompose, Katrina Spade foi a responsável por chamar a atenção do governador para tal ideia. Ela afirma que, se todos os moradores do estado optassem pelo processo de recomposição após a morte, seria possível evitar o lançamento de 500 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera em dez anos - quantidade equivalente à energia necessária para abastecer 54 mil casas em um ano.

Spade, que pode ser a responsável pelo primeiro projeto de funerária urbana de redução orgânica do país, focou sua tese como estudante do processo. Para isso, acompanhou agricultores que utilizam essa técnica há décadas para se livrarem dos corpos do gado. Assim, ela descobriu que o uso de lascas de madeira, alfafa e palha criam uma mistura de hidrogênio e carbono capaz de acelerar a decomposição natural de um corpo humano.

Em 2017, Spade liderou um projeto-piloto no qual seis corpos foram transformados em adubo na Universidade Estatal de Washington. O estudo mostrou que o processo durava entre quatro e sete semanas.

Os defensores da lei afirmam que a inovação representará um avanço para o meio ambiente, já que os corpos não ocupariam espaço nos cemitérios e não repassariam substâncias químicas para o solo, como ocorre no enterro tradicional. Além disso, o processo reduziria a emissão de dióxido de carbono no ar durante a cremação.

O autor da lei, o senador democrata Jamie Pedersen, disse que eliminar os corpos humanos com um baixo impacto ambiental é uma política pública que "faz sentido", especialmente em áreas mais povoadas. "Essa lei mudará o mundo, já que a cremação é o método mais popular no nosso estado", afirmou.

Chamado de "redução orgânica natural", o processo custa cerca de US$ 5,5 mil, menos que os US$ 7 mil normalmente cobrados por um enterro tradicional nos EUA, segundo dados da Associação Nacional de Funerárias. A lei entrará em vigor em maio de 2020. /  EFE

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