Washington pedirá extradição de terrorista

Os Estados Unidos vão pedir ao Paquistão a extradição do iemenita Ramzi Binalshibh, detido na quarta-feira pela polícia paquistanesa, com ajuda da CIA e do FBI, sob acusação de ser um dos "cérebros" dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington que deixaram mais de 3 mil mortos. "Queremos a custódia dele", disse a conselheira de segurança nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice. "Queremos averiguar o que ele sabe."O iemenita que, segundo as autoridades americanas e paquistanesas, é membro da rede terrorista Al-Qaeda e pretendia ser piloto de um dos aviões lançados sobre o World Trade Center, foi classificado de "peixe gordo" pelo secretário de Estado, Colin Powell. Ramzi Binalshibh era procurado também pela Justiça alemã. Ele pertencia à chamada "célula de Hamburgo", de onde partiram para os Estados Unidos três dos terroristas suicidas que participaram dos ataques, incluindo o chefe deles, Mohammad Atta.Condoleezza Rice ressaltou que os Estados Unidos iniciaram conversações sérias com as autoridades paquistanesas para a extradição do iemenita de 30 anos. Segundo a polícia paquistanesa, Binalshibh está sendo interrogado por agentes do FBI e da CIA que tiveram importante papel na localização e prisão dele na quarta-feira. No mesmo dia, eram detidos em Buffalo, Nova York, outros cinco supostos integrantes da rede Al-Qaeda. São todos americanos de origem iemenita e, segundo os serviços secretos dos EUA, receberam treinamento militar em acampamentos da rede terrorista de Osama bin Laden no Afeganistão. Eles foram indiciados por "oferecer apoio material" aos terroristas - segundo o FBI, não há evidências de que planejaram ataques em território americano. Se forem considerados culpados, poderão pegar 15 anos de prisão.TelefonemaUma chamada telefônica descuidada pode ter selado o destino de Binalshibh. Analisando a entrevista de Binalshibh à Al-Jazira TV, concedida no começo do mês por um telefone de funcionamento por satélite, o terrorista de 30 anos e natural do Iêmen foi localizado pelo centro de escuta americano em Karachi, Paquistão, vivendo em um velho flat.A partir desta informação, a polícia local, assistida por agentes do FBI e da CIA, prendeu Binalshibh no porto local, depois de uma batida policial onde houve troca de tiros. Segundo um repórter paquistanês, um dos dois iemenitas mortos neste confronto era procurado por seu envolvimento na morte de Daniel Pearl, correspondente do Wall Street Journal seqüestrado em janeiro.Com o terrorista foram presos outros nove suspeitos, incluindo uma possível figura importante da Al-Qaeda, que no sábado e hoje foram interrogados pelos oficiais da inteligência paquistanesa. A prisão de Binalshibh foi, até agora, a maior vitória na caça dos planejadores dos ataques terroristas.Na quarta-feira passada, dia do primeiro aniversário dos ataques, policiais paquistaneses seguiram por três horas suspeitos nas ruas e nos topos dos telhados. Pessoas do Iêmen, Egito e da Arábia Saudita foram capturadas, mas houve confusão sobre suas identidades. Somente na sexta-feira foi divulgado que Binalshibh, um dos criminosos mais procurados pelo FBI, estava entre os presos.A operação foi uma vitória dos serviços de segurança e inteligência do Ocidente, freqüentemente criticados porque os líderes da rede Al-Qaeda continuavam à solta. Também foi um golpe de mestre da Agência de Inter-Serviços de Inteligência do Paquistão, que vinha sendo acusada de proteger suspeitos da Al-Qaeda.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.