Washington Post vê "estragos" na Argentina

O "desemprego maciço" e os cortes provocados pelas reformas econômicas em favor do livre mercado "estão fazendo estragos" entre os habitantes da Argentina, afetando especialmente a antes poderosa classe média, afirmou hoje o jornal americano Washington Post. Em uma reportagem de Buenos Aires, o matutino americano diz que, a despeito dos grandes bulevares e dos edifícios "belle époque" que antes fundamentavam sua pretensão de ser "a Paris da América Latina", a capital argentina agora se parece com "a Nova York da época da Grande Depressão". "O desemprego maciço resultante de 33 meses de recessão e os profundos cortes ocorridos durante uma década de reformas em direção ao livre mercado, apoiadas pelos EUA - assinala o Post - fizeram estragos entre os residentes" da cidade.Segundo as estatísticas apresentadas pelo jornal, o número de indigentes na Grande Buenos Aires (a cidade mais os subúrbios) se elevou para 921.000 pessoas em 2000, em comparação com os 324.810 de 1991, "o ano em que o presidente Carlos Menem adotou as reformas em direção ao livre mercado que se alastraram por grande parte da América Latina nos anos 90". O diário diz que, agora, "Buenos Aires começou a assemelhar-se ao resto da América Latina". E isto, conclui o Post, começa a pesar fortemente na psique de uma cidade que sempre se considerou ?um enclave do Primeiro Mundo em meio ao mundo em desenvolvimento".

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