Washington sabe há 7 anos que radicais perseguem minorias

A possibilidade de entrar em confronto com o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês) não é nova para os EUA. O perigo que os jihadistas representam para a minoria yazidi, aparentemente uma surpresa para o governo, ficou evidente há pelo menos sete anos. O Isil foi um ramo da Al-Qaeda no Iraque, o grupo militante que foi um dos principais pesadelos dos EUA durante a guerra naquele país.

ANÁLISE: Michael R. Gordon / NYT , O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2014 | 02h01

No Iraque, a Al-Qaeda se enfraqueceu muito em 2007, com o envio do reforço de tropas americanas. Antes disso, foi responsabilizada pelos bombardeios coordenados na área de Sinjar, em que morreram centenas de yazidis, no dia 14 de agosto de 2007. Foi o ataque mais letal do grupo na guerra. Depois de adotar o nome de Isil, ele se tornou muito mais perigoso ao explorar a guerra civil na Síria, onde capturou armas fornecidas pelos americanos e capitalizou a frustração sunita com a atuação de Maliki no Iraque. A partir daí, apoderou-se de amplas partes do território iraquiano sem encontrar obstáculos.

Brett McGurk, funcionário de alto escalão do Departamento de Estado, afirmou à Comissão de Relações Exteriores do Senado, em junho, que o Isil se tornara um "verdadeiro exército" que enviava da Síria 50 suicidas por mês dispostos a ataques no Iraque e poderia enviar outros para a Europa e para os EUA. Barack Obama quer deter um avanço dos militantes sobre Irbil, onde há um consulado americano e tropas que protegem um centro de operações e a embaixada americana em Bagdá. Obama está disposto a atacar para ajudar as forças curdas ou iraquianas a romper o cerco ao Monte Sinjar e proteger milhares de yazidis que ali buscaram refúgio. Embora eles sejam sustentados graças ao envio de alimentos e água, romper o cerco continua sendo um desafio.

Temendo ser acusado de tomar partido num conflito com implicações sectárias, a Casa Branca relutou em agir antes da formação de um novo governo mais abrangente, multissectário, no qual Maliki não pudesse influir. Os desdobramentos militares se sobrepuseram ao processo de formação do governo. "A melhor opção para os EUA agirem seria que Maliki tivesse se dado conta da mudança ocorrida no Iraque, que hoje apresenta uma verdadeira mescla nacional de líderes xiitas, sunitas e curdos", afirma Anthony Cordesman, especialista militar do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos. "O problema é que os EUA não podem esperar. O Isil está se tornando cada dia mais forte."/ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Michael R. Gordon é correspondente militar.

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