Washington tenta evitar repetição de fiasco do Iraque

ANÁLISE: Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2014 | 02h03

A assessoria de 10 mil soldados americanos pode ser insuficiente para derrotar a insurgência do Taleban, mas a assinatura do acordo de segurança entre Washington e Cabul tem o efeito simbólico de evitar a repetição do cenário vivido no Iraque, de onde as tropas estrangeiras saíram em dezembro de 2011, quando a guerra chegou ao fim.

A necessidade de manter tropas no Afeganistão ganhou novo significado com o rápido avanço do Estado Islâmico (EI) no Iraque, onde soldados equipados e treinados pelos americanos fugiram dos extremistas e se mostraram incapazes ou mesmo sem disposição de combatê-los.

A mais longa guerra da história dos EUA chegará oficialmente ao fim em dezembro, com a retirada da maioria dos soldados do Afeganistão. Mas a assinatura do acordo de segurança hoje permitirá a manutenção de um contingente remanescente, com a missão de assessorar e treinar as forças locais.

O presidente Barack Obama gostaria de ter fechado um pacto semelhante com o Iraque, mas o então premiê, Nuri al-Maliki, rejeitou assiná-lo. Isso forçou a retirada de todas as tropas do país.

Não há nenhuma garantia de que a permanência de soldados americanos no Iraque impediria o avanço do EI. Mas provavelmente dificultaria o processo pelo qual Maliki afastou comandantes sunitas e privilegiou xiitas, minando o profissionalismo e o moral das tropas, com efeitos perversos sobre sua determinação de lutar.

O encerramento dos conflitos no Iraque e no Afeganistão foi uma das principais promessas de campanha de Obama. Em 31 de agosto de 2010, ele anunciou o fim da missão de combate dos EUA no Iraque e fez projeções otimistas em relação ao futuro do país. Em agosto, ele ordenou ataques aéreos contra posições do EI no Iraque, na primeira incursão militar dos Estados Unidos no país desde o fim oficial do conflito.

Com a manutenção de um número limitado de tropas no Afeganistão, os Estados Unidos tentam garantir apoio às forças de segurança locais, na esperança de que elas serão capazes de enfrentar a insurgência do Taleban.

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