Washington usa cúpula para melhorar laços com Paquistão

Para estabilizar Afeganistão, americanos precisam do apoio de Islamabad, que exige compensação financeira

CHICAGO, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h05

Os EUA sabem que não há como deixar o Afeganistão sem a cooperação do Paquistão e esperam hoje concluir um acordo sobre o uso de rotas paquistanesas para suprir as tropas da Otan no front afegão. As estradas estão fechadas por Islamabad desde novembro, quando um ataque aéreo matou 24 soldados paquistaneses.

O Paquistão quer incluir no acordo o pagamento de US$ 5 mil por contêiner transportado por seu território. Os carregamentos não podem conter armas e munições. Outra exigência é o pagamento de US$ 3 bilhões por operações já feitas, além de um novo pedido de desculpas da Casa Branca pelo incidente de novembro.

Em sua estratégia de reaproximação com Islamabad, Obama convidou o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, para a cúpula da Otan em Chicago. Zardari aceitou. Desde o fechamento das rotas paquistanesas, os EUA tiveram de optar por caminhos alternativos, como os da Rússia. Cerca de 70% do suprimento enviado ao Afeganistão passava antes pelo Paquistão.

O acordo é visto como uma forma de melhorar as relações com o Paquistão, país que é visto como protetor do Taleban e da Al-Qaeda - um exemplo foi a morte de Osama Bin Laden, em território paquistanês, sem que Islamabad fosse informada.

Segundo Bruce Riedel, ex-funcionário da CIA, a situação no Afeganistão é mais tranquila atualmente. Os principais líderes do Taleban e da Al-Qaeda foram presos ou mortos, mas "tudo estaria muito melhor se os paquistaneses ajudassem".

A participação de Islamabad nas negociações de paz entre o Taleban e o governo afegão, em Doha, é vista por ele como essencial para o fim da guerra civil afegã. "Há boas notícias no Afeganistão e razão para esperança com o Paquistão", disse. / D.C.M.

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