Washinton e Londres divergem sobre guerra

Downing Street, sede do governo britânico, apresentou hoje uma justificativa ligeiramente diferente da que Washington expõe para explicar a continuação da guerra, diante da sugestão do ex-ministro para as relações com o Parlamento, Robin Cook, para que Blair retire os soldados britânicos do Iraque, após expectativas frustradas de uma guerra rápida, asséptica e cirúrgica.?Não se começa uma campanha militar e logo se interrompe, com 12 dias, só porque nesse período não se alcançaram os objetivos?, disse um porta-voz do governo britânico. Para o porta-voz, ?um comportamento desse tipo deixaria Saddam Hussein imensamente mais poderoso e enviaria um sinal aos ditadores de todo mundo de que a comunidade internacional não quer ir fundo nesses temas.?A justificativa britânica é menos incisiva que a divulgada pelo Pentágono diante da resistência inesperada dos paramilitares iraquianos e da ausência de um levante popular contra Saddam Hussein que acolheria os soldados americanos e britânicos como libertadores de um povo oprimido.?O que vocês estão observando é ficção, pois estão vendo ali os indecisos?, reagiu o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, no programa ?This Week?, da cadeia de televisão ABC. ?É cedo para escrever a história?, disse acrescentando que os ?indecisos? ignoram os progressos alcançados até esta hora.Rumsfeld enfrenta uma saraivada de críticas. As principais, vindas de alguns ex-generais, o acusam de ignorar diversos pedidos dos comandantes militares envolvidos na operação de invasão do Iraque e de levar as tropas invasoras a uma posição difícil, sem homens suficientes para reagir a uma resistência iraquiana que não estava, aparentemente, nos planos de guerra.Outro ponto de divergência entre a Casa Branca e Downing Street é quanto à reconstrução do Iraque. O primeiro-ministro Tony Blair, que fala diariamente com o presidente americano George W. Bush, viu-se obrigado a atravessar o Atlântico para encontrar Bush em seu rancho de descanso em Camp David para tentar convencer o colega americano da necessidade da presença da ONU no Iraque pós-guerra. Blair também se encontrou com Kofi Annan, secretário geral das Nações Unidas, obviamente após ouvir as opiniões de Bush.Paralelamente, Blair tenta obter respaldo de outros líderes mundiais - contrários e a favor da tomada do território iraquiano -, para levar à frente seu projeto de reconstrução do país com a participação da comunidade internacional e não somente dos envolvidos na guerra contra o Iraque. Blair manteve contatos telefônicos com cinco lidere mundiais, após seu regresso dos EUA.Os alvos dos telefonemas de Blair foram líderes de países que apresentaram oposição clara aos planos americanos. Os presidente da França, Jacques Chirac, da Rússia, Vladimir Putin, e o chanceler alemão Gerhard Schoeder. Blair também falou com o premier australiano, John Howard, e com o primeiro-ministro espanhol, Jose María Aznar, que apoiaram a guerra desde o início. Veja o especial :

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