WikiLeaks: acordo nuclear EUA-Índia envolveu subornos

Um telegrama diplomático norte-americano divulgado hoje dá a entender que o Partido do Congresso, que governa a Índia, ofereceu subornos para vencer uma importante votação no Parlamento sobre o acordo nuclear entre Estados Unidos e Índia, em 2008.

AE, Agência Estado

17 de março de 2011 | 18h36

O site WikiLeaks tornou público um telegrama da embaixada dos Estados Unidos, datado de 17 de julho de 2008, que relata uma conversa entre o líder do Partido do Congresso, Satish Sharma, e o então funcionário da embaixada norte-americana, Steven White, sobre os esforços do governo para garantir apoio no Parlamento para o acordo nuclear.

O telegrama de White diz que um auxiliar de Sharma, Nachiketa Kapur, contou a diferentes funcionários da embaixada dos EUA que integrantes regionais do partido haviam feito pagamentos para assegurar o apoio. "O auxiliar político de Sharma, Nachiketa Kapur, mencionou a um funcionário da embaixada, reservadamente, no dia 16 de julho, que o partido de Ajit Singh, o Rashtriya Lok Dal (RLD), recebeu cerca de US$ 2,5 milhões para cada um de seus quatro parlamentares para que apoiassem o governo", diz o telegrama. Apesar dos supostos pagamentos, o RLD se opôs ao governo durante a votação. Mas no final, o acordo foi aprovado pelo Parlamento.

Ajit Singh, líder do RLD, disse em entrevista que não tem ligação com tais acordos. "Eu tenho três e não quatro membros no Parlamento, então os fatos divulgados pelo WikiLeaks estão errados". Sharma, líder do Partido do Congresso, disse que "nunca tive ou tenho qualquer auxiliar político como informado pelo WikiLeaks". Já Kapur negou "qualquer alegação mal-intencionada feita pelo WikiLeaks. Não há pagamento em troca de voto".

A porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Nova Délhi disse que "o Departamento de Estado não faz comentários sobre materiais, incluindo documentos secretos, que tenham sido vazados. Não podemos falar sobre a autenticidade de qualquer documento fornecido à imprensa".

O acordo nuclear entre Estados Unidos e Índia, assinado pelo então presidente George W. Bush e pelo primeiro-ministro indiano Manmohan Singh em julho de 2005, oferece à Índia acesso à tecnologia ocidental e energia atômica barata, em troca de Nova Délhi permitir que inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) tivessem acesso a algumas de suas instalações nucleares.

O relato do WikiLeaks parece apoiar acusações anteriores feitas pelo partido opositor Bharatiya Janata, de que a votação sobre a questão nuclear havia sido comprada. "Este é o pior tipo de crime na história do Parlamento. O Partido do Congresso vai ter de pagar um alto preço por manipular as práticas democráticas", disse hoje o porta-voz do Bharatiya Janata, Prakash Javadekar.

D. Raja, líder do Partido Comunista da Índia, disse que "o primeiro-ministro deve se explicar. Ele perdeu a responsabilidade moral para continuar no poder". As informações são da Dow Jones.

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