Suzanne Plunkett/Reuters
Suzanne Plunkett/Reuters

WikiLeaks libera os documentos secretos dos EUA sem edição

Senhas de acesso à base de dados do site, com a íntegra dos telegramas, foram publicadas online, por engano, há 6 meses

, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2011 | 00h00

NOVA YORK

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, mais uma vez causou furor na mídia ao anunciar a decisão de publicar a íntegra de 251.287 telegramas diplomáticos do Departamento de Estado dos EUA sem edição.

Ontem, em nota divulgada conjuntamente, o americano New York Times, o espanhol El País e o francês Le Monde, além da revista alemã Der Spiegel e do Guardian, que formavam o grupo de veículos de imprensa com acesso aos telegramas, criticaram a decisão de Assange de tornar disponível de uma vez todos os documentos, declarando que a publicação sem edição poderia "colocar em risco as fontes citadas".

Os veículos começaram a publicar informações contidas nos telegramas no ano passado. Nos vazamentos anteriores, porém, o site dava aos parceiros a oportunidade de checar as informações antes da publicação na mídia impressa, que seguia um cronograma previamente combinado. Alguns dos nomes citados nos documentos eram mantidos em segredo para evitar que as fontes sofressem represálias.

Dessa vez, por uma série de descuidos e intrigas, Assange parece não ter tido escolha. A confusão começou na semana passada, quando a revista alemã Der Freitag, uma semanal pequena com base em Berlim, informou ter acessado um arquivo de 1,73 GB com a íntegra dos documentos, por meio de uma senha que podia ser encontrada na internet.

A revista teria contado com a ajuda do ex-porta-voz de Assange, Daniel Domscheit-Berg, segundo a Der Spiegel, que faz parte do consórcio de veículos com acesso privilegiado aos telegramas. Domscheit-Ber deixou o WikiLeaks no ano passado e montou um site concorrente, o OpenLeaks. Em declaração na semana passada, Assange havia acusado o Guardian e o ex-funcionário de terem sido os responsáveis pela revelação das senhas.

Os códigos de acesso à base de dados do WikiLeaks, com os documentos na íntegra, teriam sido publicados online, por engano, seis meses atrás, segundo o New York Times, mas poucos sabiam disso.

Descuido. De acordo com o site da Der Spiegel, a senha foi revelada por "descuido e uma série de erros, coincidências, indiscrições e confusões" que se seguiram à fragmentação da organização em facções rivais ao longo do ano passado.

Em dezembro, o funcionário do WikiLeaks postou o arquivo criptografado em um site de compartilhamento. Na época, Assange corria o risco de ser preso e o site, fechado. Simpatizantes do grupo queriam ter certeza de que, se isso ocorresse, os dados ainda poderiam ser acessados e tornados públicos.

Uma cópia dos arquivos parece ter sido publicada em um site "espelho" ou em cópias completas do conteúdo do WikiLeaks que o grupo encorajava seus apoiadores a criar.

Segredos

15.652 mensagens classificadas como secretas foram divulgados

15.365 despachos são sobre o Iraque

7.918 telegramas recebeu a embaixada dos EUA na Turquia

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