WikiLeaks não identifica origem de documentos secretos

O editor-chefe do site WikiLeaks (wikileaks.org), Julian Assange, afirma que não sabe quem enviou para a organização os mais de 90 mil documentos secretos referentes a ações do Exército dos Estados Unidos no Afeganistão. Segundo ele, o WikiLeaks - uma espécie de Wikipedia de documentos secretos - foi montado de forma que esconde a fonte dos dados recebidos. "Nós nunca sabemos a fonte de um vazamento", disse aos jornalistas em Londres, na noite de ontem. Assange não explicou, porém, se não sabe quem vazou os documentos, ou se sua organização não tinha certeza sobre a identidade do autor. Mas ele afirmou que a não identificação das fontes serve também para protegê-las de agências de espionagem e de corporações hostis.

AE-AP, Agência Estado

28 de julho de 2010 | 15h39

Funcionários norte-americanos disseram que soldados no Afeganistão e no Paquistão podem estar em perigo por causa da divulgação, no domingo, dos documentos por meio do WikiLeaks. O procurador-geral dos Estados Unidos disse que uma investigação do Pentágono vai determinar se acusações criminais serão feitas sobre o vazamento dos documentos.

Assange reconheceu que a aceitação anônima de informações pelo site levante dúvidas sobre a autenticidade do material publicado e disse que o WikiLeaks já foi enganado por documentos falsos. "Recebemos conteúdo totalmente fabricado, geralmente da época de eleição", disse ele, mas acrescentou que isso é "bastante raro". Por outro lado, o editor-chefe afirmou que o WikiLeaks usa ex-funcionários de inteligência e ex-militares para ajudar a avaliar se os documentos vazados das forças armadas ou de agências de espionagem são genuínos. O pior medo do site, disse ele, não é a divulgação de uma fraude completa, mas de um documento verdadeiro que tenha sido discretamente alterado.

Ameaças

Funcionários norte-americanos também temem que os dados possam ser úteis não apenas ao Taleban, mas a serviços de inteligência hostis, como os da China e da Rússia, que têm recursos para processar esse grande volume de informação, disse Ellen McCarthy, ex-funcionária de inteligência e presidente da Aliança Nacional de Segurança.

Assange concordou que os arquivos oferecem uma visão interna das táticas norte-americanas, mas discordou sobre conseguências em grande escala para o país. "Você geralmente ouve que algo pode ameaçar a segurança nacional dos Estados Unidos. Isto precisa ser derrubado. Uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos? Sério? A segurança de toda a nação? Isso é ridículo!"

Ele admitiu, no nentanto, que casos individuais são diferentes. "Se falarmos sobre uma ameaça a soldados individualmente, ou cidadãos dos Estados Unidos, então há potencialmente uma preocupação genuína."

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