WikiLeaks: para Espanha, Cristina Kirchner é 'marionete'

Novos telegramas diplomáticos revelados pelo site WikiLeaks no fim de semana trouxeram à tona diálogos entre o governo da Espanha e dos Estados Unidos que indicam que em Madri lamentavam a excessiva interferência do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) no governo de sua mulher, a presidente Cristina Kirchner. Segundo os telegramas, Trinidad Jiménez, atual ministra das Relações Exteriores, queixava-se da dependência de Cristina do marido.

ARIEL PALACIOS, Agência Estado

13 de dezembro de 2010 | 09h31

Os telegramas também citam que o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar - em conversa com o então secretário de Estado dos EUA para América Latina, Thomas Shannon - considerou em 2008 que Cristina uma mera "marionete de seu marido". O casal presidencial era definido como "lamentável" pelos espanhóis, que também ressaltavam à diplomacia americana que a corrupção no governo Kirchner havia transformado-se em "um sistema perverso".

As opiniões espanholas sobre a administração Cristina, afirmam analistas em Buenos Aires, prometem azedar as relações bilaterais por um tempo, já que os telegramas também mostram que Javier Sandomingo, diretor-geral de assuntos para América Latina, afirmava que a presidente Cristina era "mais inconsistente e temperamental do que o marido".

Kirchner, em Buenos Aires e no exterior, era considerado o "verdadeiro poder" no governo de sua mulher, a presidente Cristina. O ex-presidente morreu de um ataque cardíaco fulminante no dia 27 de outubro.

Hugo Chávez

Os telegramas também mostram ácidas críticas do governo espanhol com outros presidentes da região. Esse é o caso do presidente venezuelano Hugo Chávez, definido por Jiménez como "um palhaço", uma "pessoa que está em outro planeta". A ministra espanhola também sustentava que embora fosse "uma besta", Chávez "não era um estúpido".

Além disso, os telegramas afirmam que o primeiro-ministro José Luis Zapatero, do Partido Socialista, e seu principal rival, Mariano Rajoy, do Partido Popular, tinham visões comuns sobre a Venezuela. "É um desastre de país", afirmavam os dois. No entanto, sobre o presidente boliviano, Evo Morales, a diplomacia espanhola era menos ácida: "não é pior que vários outros líderes latino-americanos com os quais tivemos que lidar no passado ou atualmente".

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