Wikileaks: para EUA, Zelaya foi vítima de conspiração

Um documento da embaixada norte-americana em Tegucigalpa vazado pelo site Wikileaks.org mostra que a representação diplomática dos Estados Unidos na capital de Honduras considerou a deposição do presidente Manuel Zelaya um golpe de Estado. "A perspectiva da embaixada é de que não há dúvida de que o Exército, a Corte Suprema e o Congresso conspiraram no dia 28 de junho para o que constitui um golpe inconstitucional e ilegal contra o poder executivo", diz o documento publicado pelos jornais The New York Times, dos EUA, e El País, da Espanha.

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2010 | 19h16

O texto, assinado pelo embaixador Hugo Llorens, destaca que independentemente das acusações contra Zelaya, a tomada do poder por Roberto Micheletti foi ilegítima. O diplomata diz ainda que falta consistência às provas apresentadas pela oposição.

Zelaya foi preso pelo Exército enquanto dormia no palácio presidencial no dia 28 de junho de 2009, antes de um referendo sobre uma reforma na Constituição do país. Ele foi expulso de Honduras e o Congresso declarou vaga a presidência, ocupada posteriormente por Micheletti. Os EUA, a princípio, criticaram o golpe, mas depois defenderam a eleição de Porfírio Lobo, organizada pelo governo liderado por Micheletti.

Justiça

O governo dos EUA não descarta a possibilidade de mover uma ação na Justiça contra o site de vazamento de informações secretas Wikileaks.org, informou a Casa Branca. O secretário de Imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o governo norte-americano analisa uma série de medidas após a divulgação, durante o fim de semana, de mais de 250.000 documentos secretos do Departamento de Estado dos EUA.

De acordo com Gibbs, uma investigação criminal está em andamento para determinar como os documentos secretos da chancelaria norte-americana foram vazados. Gibbs disse que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi informado na semana passada sobre o tamanho e o alcance do vazamento. Ele informou que Obama não faria um pronunciamento formal sobre o caso, mas "não está contente" com a situação. As informações são da Associated Press.

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