WikiLeaks revela olhar de diplomatas sobre líderes mundiais

Berlusconi é 'irresponsável'; Kadafi é estranho; Putin e Medvedev são 'Batman e Robin'

estadão.com.br

28 de novembro de 2010 | 21h32

LONDRES - Além de segredos sobre a política externa dos EUA - como a ordem para investigar membros da ONU, os documentos divulgados neste domingo, 28, pelo site WikiLeaks revelam como líderes e personalidades globais são vistos pelos diplomatas americanos.

 

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Os 250 mil papéis vazados, divulgados pelos jornais The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), Le Monde (França), El País (Espanha) e pela revista Der Spiegel (Alemanha), fazem parte do maior vazamento de material diplomático da história e colocam Washington em uma situação delicada. Veja como cada liderança é vista pelos diplomatas americanos.

 

No final de 2008, a embaixada americana em Moscou passou informações sobre a relação entre o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e o primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, dizendo que "Medvedev é Robin e Putin, Batman". Além disso, diplomatas ressaltam o gosto do premiê pelo poder, pelo qual tenta manter sua supremacia.

 

Os documentos ainda levantam suspeitas sobre a "amizade próxima" de Putin com o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, na qual ocorre troca de presentes extravagantes e negociações sobre energia lucrativa. Diplomatas em Roma dizem que Berlusconi se tornou "o porta-voz falastrão de Putin no Oeste Europeu".

 

Sobre Berlusconi em si, uma enviada americana classifica-o como "displicente, irresponsável e ineficaz como um líder europeu moderno". Ele ainda é considerado "um líder física e politicamente fraco cujas noitadas e gosto pelas festas sugerem que ele não descansa o suficiente".

 

Kim Jong-il, o "ditador norte-coreano", é descrito como um "sujeito velho e frouxo", alguém que sofreu "traumas físicos e psicológicos" como resultado de um derrame cerebral.

 

A embaixada em Paris destaca o "estilo autoritário" do presidente da França, Nicolas Sarkozy e diz que as autoridades americanas devem "ficar de olho" no líder francês e em sua equipe sobre qualquer ação que possa minar a influência dos EUA no mundo.

 

Um documento de Cabul classifica o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, como um "homem extremamente fraco que não abre os olhos para os fatos e, em vez disso, é facilmente influenciado por qualquer um que conte a mais bizarra história sobre ele".

 

No Iêmen, base da organização terrorista Al-Qaeda na Península Arábica, o presidente Ali Abdullah Saleh é considerado "desdenhoso e impaciente" por um conselheiro de segurança do presidente Barack Obama.

 

Robert Mugabe, presidente do Zimbábue, é tachado como "um velho louco", enquanto o líder líbio, Muamar Kadafi, "é simplesmente estranho". Kadafi, aliás, foi objeto de uma investigação especial dos diplomatas americanos, que descobriram que ele não anda sem "sua voluptuosa e loira enfermeira ucraniana" e só se hospeda no primeiro andar dos hotéis.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é considerado "elegante e charmoso", mas nunca cumpre suas promessas, segundo um diplomata de Cairo, no Egito, que garante ter contado sua opinião pessoalmente ao líder israelense.

 

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, é retratada como alguém que "evita os riscos e é pouco criativa", uma política que prefere "ficar na retaguarda até conhecer o equilíbrio das forças".

 

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, não aparece classificada de nenhuma forma, mas não escapou da diplomacia americana. Os documentos revelam que foram solicitadas "informações sobre a saúde mental da presidente argentina". Os motivos serão divulgados na segunda-feira.

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